Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

A inveja, a crise e as trevas

O maior de todos os invejosos, sem dúvida, é Satanás. Como descrito em Paraíso Perdido, de John Milton, Lúcifer é um líder protorrevolucionário que fomenta uma rebelião fracassada contra Deus. Sua maior arma é a astúcia, a persuasão, a mentira dissimulada e o carisma.

Por Alexandre Borges.

“Eu matei Mozart!”, grita o invejoso Antonio Salieri criado por Milos Forman em Amadeus. Nada poderia ser mais distante da realidade. Salieri foi um músico extremamente bem-sucedido, suas obras foram aclamadas em vida e ele chegou a dar aulas para Beethoven, Schubert e Lizst, enquanto Mozart lutava para sobreviver. Mesmo assim, a ficção acabou colando em Salieri a pecha de um dos mais odiosos e ressentidos personagens da história, que terminou seus dias solitário e taciturno num manicômio.

Outro ícone da inveja é Iago, criado por William Shakespeare em Otelo. Iago convence o mouro da infidelidade da esposa Desdêmona por ter sido preterido numa promoção. O invejoso fabrica em sua mente perturbada uma injustiça irreal cometida por seu superior como forma de explicar a própria derrota. O final é trágico para todos.

O maior de todos os invejosos, sem dúvida, é Satanás. Como descrito em Paraíso Perdido, de John Milton, Lúcifer é um líder protorrevolucionário que fomenta uma rebelião fracassada contra Deus. Sua maior arma é a astúcia, a persuasão, a mentira dissimulada e o carisma. Sua meta é corromper o espírito dos anjos por causa de sua própria sede de poder: “melhor reinar no Inferno do que servir no Céu”.

A inveja que envenena a alma do indivíduo é capaz de destruir um país. Alain Peyrefitte explica: “a sociedade de desconfiança é uma sociedade temerosa, ‘ganha-perde’: uma sociedade na qual a vida em comum é um jogo cujo resultado é nulo, ou até negativo; propícia à luta de classes, ao mal-viver nacional e internacional, à inveja social, ao fechamento, à agressividade da vigilância mútua. A sociedade de confiança é uma sociedade em expansão, ‘ganha-ganha’; sociedade de solidariedade, de projeto comum, de abertura, de intercâmbio, de comunicação”.

Em outubro último [2015], num momento sintomático da miséria ideológica nacional, professores que faziam uma manifestação em São Paulo apedrejaram um carro de luxo, raríssimo no Brasil, pertencente a um desconhecido. O veículo apenas passava pelo local rebocado por um guincho. O que leva gente que vai formar as novas gerações de brasileiros a acreditar que o vandalismo bestial e invejoso fará algum bem a ele ou ao país? Como conseguiram corromper de tal forma suas almas?

O Brasil é uma sociedade de desconfiança, de “ganha-perde”. Muitos brasileiros já entenderam o papel deletério exercido pelo Estado hipertrofiado e tentacular em suas vidas, que obriga o país a trabalhar cinco meses por ano para sustentar sua máquina corrupta, inepta e perdulária. Pelo quinto ano seguido, o país ocupa o último lugar no ranking sobre retorno dos impostos.

Professores que apedrejam carros nas ruas são a face visível de uma doença social e moral muito mais grave e profunda. Eles agem como esbirros de uma engrenagem que há décadas envenena e racha o país, destruindo a capacidade de associação e colaboração dos brasileiros a partir das instituições sociais tradicionais como família, trabalho, escola, associações de bairro, igrejas e instituições filantrópicas, deixando apenas o Estado no lugar.

Uma sociedade em que o cidadão perde a confiança nela própria será sempre disfuncional. A confiança, com responsabilidade e liberdade, sem a intermediação autoritária, ineficaz e corrupta do poder estatal, é o pilar de relações sociais frutíferas e moralmente saudáveis.

Enquanto o Brasil não acabar com a onipresença sufocante do Estado e voltar a fomentar a liberdade, o empreendedorismo e a associação voluntária e mutuamente benéfica entre os cidadãos, estará sempre refém de governantes e burocratas que buscam arbitrar cada aspecto de suas vidas para pilhar seus recursos e consolidar o próprio reino de trevas, um objetivo em estágio já bastante avançado.

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Publicado às 24 24America/Belem maio 24America/Belem 2017 por em Alexandre Borges, Atualidade, Brasil, Cultura, Humanidade e marcado , , , , .
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