Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Cultura ou economia — o falso dilema

Uma civilização avançada não significa só avançada no aspecto material. Uma civilização avançada significa, acima de tudo, ser capaz de equilibrar forças espirituais e forças materiais e transformá-las em virtudes instrumentais (economia) e finais (arte, filosofia e religião).

Por Francisco Razzo.

A discussão sobre a precedência da cultura sobre a econômica ou da economia sobre a cultura é equivocadamente formulada quando feita nesses termos. Economia é um aspecto da cultura e não uma atividade distinta dela. Nesse sentido, considero um pseudoproblema a disputa se devemos voltar os esforços para os valores materiais e instrumentais ou se primeiro devemos fazer a manutenção dos valores espirituais e finais da cultura.

Uma certa concepção de cultura fornecerá inclusive o tipo peculiar de atenção dada aos meios materiais. Outra chamará atenção para os aspectos espirituais. Uma civilização avançada não significa só avançada no aspecto material. Uma civilização avançada significa, acima de tudo, ser capaz de equilibrar forças espirituais e forças materiais e transformá-las em virtudes instrumentais (economia) e finais (arte, filosofia e religião).

Não é uma equação simples. Arnold Gehlen, filósofo alemão, autor do importante estudo sobre Antropologia Filosófica, tido como conservador, fala justamente no matrimônio entre natureza e espírito para descrever a presença do homem no mundo.

O homem é essencialmente caracterizado por sua “carência” e “não-especialização”. Sempre lhe faltará algo em um nível fundamental. O homem é precário. Essa é a posição singular do homem na natureza. Marca seu limite e superação. Tudo o que o homem tocar será cultura. A cultura é o mundo humano. A ação humana, portanto, sempre será cuidar dessa sua carência estrutural.

Em síntese: a) o homem é a negação dos princípios regulares da natureza animal; b) o agir instintivo humano é atrofiado. Por isso nossa relação com a natureza não é direta, mas mediata pela vida interior. A vida interior impõe um hiato e cria a cultura. c) O homem é abertura para o mundo. Todos os utensílios em mãos serão usados à luz dessa abertura. O homem é criador de significado. O homem não habita a natureza, ele habita a cultura. Os humanos não sobrevivem, eles saboreiam — como dirá Rémy, o ratinho gourmet de Ratatouille.

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Publicado às 19 19America/Belem abril 19America/Belem 2017 por em Atualidade, Cultura, Economia, Filosofia, Francisco Razzo, Humanidade, Indivíduo e marcado , , , .
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