Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

O “nós” existe

batalha_do_riachuelo_120610“Tendo negado sua identidade comum, o homem, incompleto, anseia assimilar-se ao vazio de sua própria solidão”

Por Leonardo Faccioni.

O “nós” existe, por mais que o neguem certos liberais convertidos em neonominalistas do século XXI. Como nação, compartilhamos uma memória histórica, um comum substrato de experiências sensoriais e estéticas, uma identidade de signos linguísticos, expectativas, padrões de conduta, estruturas de pensamento incomunicáveis por igual a quem delas não partilhou ab ovo, desde a concepção. Partilhamos um lugar no mundo, a consciência da recíproca existência, a empatia dela decorrente, os limites de nossos horizontes. Partilhamos laços no tempo e no espaço, sem os quais não resistiríamos à primeira tempestade. Em tudo isso existimos como um “nós”, participando de uma vida comum que nos abrange e nos supera, pois seguiria sem o “eu”, sem o “tu”, sem o “ele”, mas que conosco se qualifica, e qualifica-nos por integrá-la.

Os países não são linhas imaginárias. Os países são as formas da imaginação humana realizadas na História, diversas e essenciais à humanidade de cada indivíduo — indivíduo que, sem suas circunstâncias, ver-se-ia reduzido ao instinto primitivo imediato de um animal.

A atomização do homem, cortando-lhe os laços com a terra, a língua, a paisagem de sua infância, os aromas de sua culinária, a cadência no falar de sua mãe, não vem permitindo às massas tomar como sua a diversidade inabarcável das experiências humanas. Ao contrário. A atomização tem-nas jogado em um desespero sem margens, onde ventos de tornado sopram plantas sem raízes, rumo a um perdimento sem propósitos, em depressão destrutiva, revelada nas artes, como na sociologia e nos índices de crimes violentos , de suicídios, ou na esquizofrenia dos movimentos reivindicatórios a tomar conta dos países mais desenvolvidos.

Tendo negado sua identidade comum, o homem, incompleto, anseia assimilar-se ao vazio de sua própria solidão. Antes que gozar do todo, rende-se ao nada – e um planeta outrora colorido por mil e um modos de vida é reduzido a uma grande, cinzenta igualdade, tolerante apenas consigo mesma. Profecia autorrealizável: nessas condições, o “nós” é, realmente, ideia sem dimensão. Impossível amar o que impossível conhecer.

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Publicado às 5 05America/Belem outubro 05America/Belem 2016 por em Brasil, Civilização, Cultura, Estado, Indivíduo, Leonardo Faccioni, Tradição e marcado , , , , .
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