Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

O que é uma política popular?

ElíasDeTejadaPor Francisco Elías de Tejada.

O que é uma política popular? Aquela que se governa com o povo. […]
Pois há três concepções:

a) O liberalismo democrático: Sustenta que o poder vem DO povo e que toda ordem política foi estabelecida de forma a-histórica [fora da história], abstrata e racional PELA vontade popular, num impulso incoerente e momentâneo, seja através de plebiscitos gerais ou de eleições específicas. É atitude que na realidade desconhece o que seja o povo, pois o reduz a uma noção amorfa e pulverizada do que Francisco Suárez chamaria “massa”, coexistência inorgânica que nada tem em comum com a sociedade independente e forte, integrada por comunidades autônomas e livremente constituídas, que é a verdadeira característica do povo.

 

b) O totalitarismo, desde os absolutismos de cunho protestante, baseados na secularização da idéia de carisma, aos totalitarismos do Século XX, tanto nas oligarquias fascistas, quanto nas comunistas: Defende que o Poder procede irracional, arbitrária e obscuramente de um nível alheio à sociedade em geral, governando-se PARA o povo, mas SEM o povo, criança carente de educação política e de conhecimento para saber o que lhe convém. Essa concepção suprime plana e simplesmente tudo o que não seja de ordem do titular, não se importando com o povo, nem em sua acepção verdadeira, nem na falsa acepção liberal de massa desorganizada.

c) O pensamento tradicional: Defende que o Poder vem de Deus ATRAVÉS do povo e que seu exercício só tem lugar COM a participação do povo. É a teoria das representações políticas, com uma ordem na qual todo o Poder vem de Deus: por meio do direito natural, o Poder surge na comunidade pelo mero fato de ela existir, e esta o delega, através de um ato de direito positivo e histórico, a uma instituição de um, de poucos ou de muitos (legitimidade de origem), a qual será legítima enquanto governe dentro dos princípios de direito natural (legitimidade de exercício). Pois bem, a comunidade que assim delegou permanentemente seu poder de governo a uma instituição, reserva-se o direito de brecar ou de fiscalizar seu exercício por meio de outras instituições que representem os interesses  atuais a respeito do Poder atribuído ao órgão que governa.

Assim ocorreu a dupla representação na monarquia tradicional das Espanhas: do Rei, cujo poder não vem do povo contemporâneo, pois representa a voz dos mortos e dos que vão nascer, ou seja, a essência da pátria; e das Cortes, que representam o controle do exercício do Poder Real, que é independente delas, conforme o que interessa a cada conjuntura histórica. Por isso, as leis eram feitas pelo Rei […]; o que as Cortes faziam era exigir boas leis e zelar pelo seu cumprimento, mas sem ter o poder de legislar, manobrando a sua faculdade de conceder ou negar recursos; possuíam uma autoridade econômica capaz de influenciar na legislativa, mas nenhum poder de legislar propriamente dito, o qual estava reservado exclusivamente ao Rei.

[…]

No fundo, a questão toda se reduz a três concepções antropológicas: o liberalismo parte do otimismo, nega a sociedade organizada, abandona a história e julga ser o governo popular PELA massa que os democratas apelidam arbitrariamente de povo; o totalitarismo parte do pessimismo antropológico e acredita que os humanos são tão estúpidos que o conveniente é governar PARA eles, mas SEM eles […]; o Tradicionalismo das Espanhas avalia que o homem é um ser mortal e, por conseguinte, defende que haja um Poder que, por surgir em uma instituição, não está sujeito às avalanches contraditórias de cada furacão passional das multidões, mas que, sem perder sua independência institucional, governa COM a participação dos representantes do verdadeiro povo, i. e., da sociedade organizada e livre: organizada contra o liberalismo, livre frente ao totalitarismo.

 

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Publicado às 8 08America/Belem junho 08America/Belem 2016 por em Civilização, Coletivismo, Conservadorismo, Democracia, Elías de Tejada, Estado, Monarquia, Política, Tradição e marcado , , , , .
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