Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

O culto à feiúra

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“Um fruto evidente da apostasia ocidental é a feiúra cultural. Goste ou não, a Europa foi construída sobre a fé em Cristo, e, com a repulsa voluntária a essa fé, surgiu um ódio por parte desses mesmos europeus contra toda a tradição cristã” 

Por Christopher Fleming.

Um fruto evidente da apostasia ocidental é a feiúra cultural. Goste ou não, a Europa foi construída sobre a fé em Cristo, e, com a repulsa voluntária a essa fé, surgiu um ódio por parte desses mesmos europeus contra toda a tradição cristã. De fato, o ódio contra o mesmíssimo Deus, fonte de toda beleza, gerou um gosto pela feiúra. Até a autodestruição da Europa na Grande Guerra de 1914-1918, toda a sua história, suas tradições, sua cultura, bebiam direta ou indiretamente no cristianismo. Creio que foi a partir dessa guerra, cujos 100 anos agora se comemoram, que a Europa optou definitivamente por repelir a Cristo. Desde logo, foi um processo que levou tempo, mas foi graças a essa contenda que a mentalidade revolucionária, e, portanto, anticristã, conseguiu contagiar todo o Ocidente. A partir daí, a cultura moderna se degenerou, convertendo-se em um culto ao feio.

Este culto se manifestou em diversas formas artísticas nas correntes vanguardistas da época imediatamente posterior à Grande Guerra. Na música, a Segunda Escola de Viena, liderada por Arnold Schoenberg, buscou uma ruptura radical com o passado. Seu sistema dodecafônico foi uma tentativa de criar uma nova música a partir de teorias matemáticas e filosóficas. Ainda hoje, há músicos de renome que defendem o dodecafonismo, mas, em minha opinião, o fazem por puro esnobismo artístico. A realidade é que ninguém suporta a música dodecafônica, cujo efeito estético poderia ser comparado a um golpe baixo. Ao que queira comprovar, escute esta peça de Anton Webern [1]. É um bom exemplo da artificialidade moderna. No lugar de cultivar formas artísticas que nascem e se desenvolvem organicamente dentro de uma cultura viva, uma elite decide impor normas a partir de suas teorias acadêmicas, criando um abismo insuperável entre eles e as pessoas comuns.

dadaismoA música chamada “erudita” seguiu por este caminho esotérico que ditava uma elite cada vez mais divorciada do mundo real. Quanto à música das massas, a partir dos anos 1950, o Rock’n’Roll arrasou uma geração inteira levando à intemperança e à perda dos valores religiosos [2]. Em geral, a história da música do século XX se caracterizou por uma busca frenética pela novidade a todo custo, tanto nas estridências da música “erudita”, como no Rock. Creio que foi por essa razão que a música antirrevolucionária por antonomásia, a música tradicional, também chamada folclórica, entrou em decadência. A tragédia dos últimos 100 anos no Ocidente, a meu juízo, é a perda progressiva da herança musical tradicional dos povos. A cada ano constato com tristeza que meus alunos do conservatório são incapazes de cantar alguma canção tradicional da sua região. Só conhecem as bandas de filmes de Hollywood, a música de programas de televisão, o que cantam as estrelas do Pop.

A música tradicional é a que se transmite oralmente de geração em geração e varia de uma região para outra. Essa música fortalece o vínculo cultural entre todos os membros de uma mesma comunidade e cria uma identidade cultural que distingue sua comunidade de outras. Exatamente o contrário ocorre com a música Pop. Essa música muda constantemente com as modas, pelo que cada geração se torna fã de um gênero diferente do anterior, criando um abismo cultural entre as gerações. Ademais, a música Pop, promovida pelos meios de comunicação de massa, é a mesma em qualquer lugar.  Significa que destrói a identidade cultural dos povos, pois musicalmente nada distingue uns dos outros. Quando uma tradição musical morre, é quase impossível ressuscitá-la. Desaparece para sempre parde da identidade cultural de um povo, para ser substituído por uma patacoada estrangeira. É um empobrecimento cultural realmente trágico, que serve para avançar a agenda da Nova Ordem Mundial. Essa homogeneização da cultura ocorre em quase todos os aspectos da nossa vida. Os restaurantes nos quais se serve comida típica são substituídos por hamburguerias de franquias americanas. As modas locais e os trajes típicos de cada região são trocados pelo que ditam quatro estilistas de Nova Iorque ou de Paris. Os bailes nativos cedem o seu lugar para um rebolado vulgar. Até as línguas de cada nação são invadidas por anglicanismos.

Nas artes plásticas também é fácil ver o culto à feiúra. A arte decadente, o “feísmo” e a arte abstrata bebem de fontes surpreendentes. Um dos principais ideólogos que inspiraram a nova arte modernista foi Charles Baudelaire, um drogadito degenerado, cuja obra magna, As Flores do Mal, é abertamente um culto a Satanás. Outra influência importante, sobretudo para a arte abstrata, é Helena Blavatsky, a fundadora da religião esotérica mágica denominada “teosofia”. Com tais raízes, não é de estranhar que a árvore do modernismo artístico cresceria torta desde o princípio e daria frutos tão amargos.

En las artes plásticas también es fácil ver el culto a la fealdad . El arte decadente, elfeísmo y el arte abstracto, beben de fuentes inquietantes. Uno de los principales ideólogos que inspiraron el nuevo arte modernista es CharlesBaudelaire, un drogadicto degenerado cuyo magnum opus, Les Fleurs du Mal, es abiertamente una alabanza a Satanás. Otra influencia importante, sobre todo para el arte abstracto, esHelena Blavatsky, la fundador de la religión esotérica mágica denominada teosofía. Con estas raíces no es de estrañar que el árbol del modernismo artístico creciera torcido desde el principio y diera frutos tan amargos.

Esta aquarela de 1911 é o primeiro quadro abstrato:

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Seu autor, Wassily Kandinsky, explica em seu livro Do Espiritual na Arte, que este novo movimento artístico se fundamenta nas teorias de Blavatsky, a Doutrina Secreta, como ela o chama. Piet Mondrian, outra figura importante da arte abstrata, também era adepto da teosofia:

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Um quadro de Mondrian, de 1930.

O Dadaísmo, a expressão artística do ateísmo e do niilismo, e a primeira manifestação do feioso enquanto princípio estético, surgiu durante a I Guerra Mundial. Nas décadas anteriores, Friederich Nietzche, o grande profeta do ateísmo, havia defendido a feiúra nas diversas expressões artísticas: “Se colocam limites muito estreitos à arte, quando se exige que seja apenas o veículo de expressão da alma ponderada e equilibrada. Assim como nas artes plásticas, há na música e na poesia uma arte da alma feia, junto à arte da alma bela [3]”.

[…]

Quem levou a sério esta repulso à beleza artística foi o comunista espanhol Pablo Picasso. Picasso levou a novos limites a distoção deliberada do corpo humano. Satanás odeia o corpo do homem, pois foi feito à imagem de Deus, é “templo do Espírito Santo” e porque a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade quis fazer-se homem. Por isso, é natural que os artistas, sob a influência do demônio, representem os homens como se fossem bestas repugnantes. […]. O caos, tão presente em todos os seus quadros, indica que Picasso foi um homem, no mínimo, bastante desequilibrado. […]. Picasso também foi o primeiro dos “artistas chalatães”. Se fez muito rico e famoso em vida, devido em grande parte à sua habilidade para vender suas expressões artísticas ao público, o que hoje chamaríamos de marketing. Atualmente, a arte contemporânea se tornou uma frande farsa, onde o que importa é a promoção dos “artistas”. O que sabe fazer seu nome entre pessoas influentes, vende suas criações por milhões de dólares, independente da qualidade estética. O produto artístico é irrelevante, se vende e se compra uma assinatura, como se fosse uma ação da bolsa. […]

É por esta razão que Damien Hirst, cuja obra mais conhecida é este tubarão em uma solução de aldeído fórmico, ganhou uns 500 milhões de dólares vendendo o que qualquer pessoa minimamente sensata sabe que é lixo. “Que bonito o traje do imperador!”, dizem os gurus da arte contemporânea e todos os inocentes úteis se perguntam (sem se atrever a dizer nada) por que não o apreciam como deveriam.

NO SALES, NO ARCHIVE MUST ONLY BE USED IN CONNECTION WITH PICASSO AND BRITAIN EXHIBITION Tate Modern undated handout photo of The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living by Damien Hirst part of the Damien Hirst exhibition at Tate Modern which runs from April 5 to September 9. PRESS ASSOCIATION Photo. Issue date: Thursday March 3, 2011. See PA story ARTS Tate. Photo credit should read: Damien Hirst and Hirst Holdings/Tate Modern/PA Wire NOTE TO EDITORS: This handout photo may only be used in for editorial reporting purposes for the contemporaneous illustration of events, things or the people in the image or facts mentioned in the caption. Reuse of the picture may require further permission from the copyright holder.

Os soviéticos foram os primeiros a criar monumentos abstratos gigantes que enfeiavam o espaço público, uma moda que hoje em dia se estendeu para o mundo inteiro. Ainda que os governos liberais ocidentais gastem fortunas para construir monstrengos horripilantes, na minha opinião, os antigos monumentos soviéticos ainda os superam. Veja, p. ex., esta monstruosidade da antiga Iugoslávia:

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[…] Fora a evidente feiúra desses “monumentos”, chama a atenção seu absoluto vazio: não significam nem representam nada. Nesse sentido, são um reflexo fiel do regime liberal do qual sofre a Europa inteira, herdeiro de fato do marxismo cultural. Ao repelir Jesus Cristo, ao dar as costas às tradições de nossos antepassados, se caiu no mais absoluto niilismo. O único consolo que me resta é pensar que esses atentados estéticos são perpetrados contra o povo.

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1. Concerto para 9 instrumentos.

2. Para um estudo da natureza satânica do Rock and Roll, ver este artigo.

3.  Friedich Nietzsche, Humano, demasiado humano § 152

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Publicado às 25 25America/Belem maio 25America/Belem 2016 por em Arte, Atualidade, Beleza, Cultura, História, Tradição e marcado , , , , , .
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