Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

A família e o município como bases da organização política

ElíasDeTejada

“A família cristã e o município romano seguem existindo, enquanto caem a cada geração monarquias e repúblicas, impérios e senhorios. Sua supremacia está na sua radical e singular autenticidade”.

Por Francisco Elías de Tejada.

O município, como a família, parte de uma só realidade humana: a condição inescapável de o homem ser uma pessoa concreta, de viver sua existência dentro de um quadro de valores nunca encontrados livremente por ele, senão com os quais se depara de bruços e logo lhes abrem os olhos para as luzes da vida; de que seu saber sociológico lhe vem de uma estirpe e num lugar que ele não determinou, mas no qual se encontrou pelo mero fato de nascer. Todas as teorias totalitárias da exaltação do Estado, igual a todas as teorias anarquizantes da divinização do indivíduo abstrato quebram, como pedaços de cristal de uma taça quebrada, ao chocar-se com esta verdade indiscutível.

Sangue e solo, família e município, convém ser o que somos, gostemos ou não. A força dos fatores sociológicos é mais eficaz que o oportunismo das decisões arbitrárias. Nunca o homem foi algo abstrato, nem nunca possuiu direitos abstratos, como os que lhe legaram as sucessivas declarações de direitos do homem na pomposa e vazia literatura corrente desde a revolução francesa até a contemporânea ONU…

Daí a primazia destas entidades menores [família e município] sobre o Estado, encarnação e sujeito do poder político supremo… dentro de uma comunidade, o poder político não é mais que o regente que coordena o funcionamento total do organismo comunitário, fundindo as vontades essenciais e harmonizando os vários setores da coletividade. Ao lado desse poder político supremo, existem outras entidades mais arraigadas, mais contíguas, mais próximas, com as quais nos identificamos pelo simples fato de termos nascido nelas. As sociedades são pomares e não desertos governados pelo sol ardente do poder político. São um equilíbrio fecundo, onde o Estado político é a força unificadora, nunca a potestade totalitária. O Estado que pretendesse abarcar tudo, reduzindo a um monte de cinzas as instituições que lhes são anteriores no tempo e superiores pelo direito natural, seria um Estado suicida… Sendo sortudo o Estado que fracassasse no esforço para desfazê-las. Pois, se conseguisse, o Estado acabaria por se autodestruir, vazando o conteúdo de suas entranhas. Ao querer controlar tudo, não encontraria o que dominar.

As personalidades de direito natural das instituições sob o domínio do Estado, ou seja, da família e do município, são, consequentemente, assim como as afirmações jusnaturalistas, realidades sociológicas impossíveis de suprimir e de não reconhecer. Estão postas ali, no centro da vida humana, pelos primeiros e fundamentais elos que ligam cada indivíduo ao resto dos indivíduos com quem convive. Reconhecidas ou não pelas legislações, sua função é sempre inexorável. Precedem ao Estado, servindo-lhe de apoio e alicerce.

As pretensões modernas de destruí-las são o reflexo dos desejos de destruição que animam as revoluções. Porém, ambos, família e município, são mais fortes do que todas as revoluções possíveis, pois sem elas o homem nunca seria aquilo que é. E um dia não tão distante, quando os furacões da grande revolução que hoje desmantelam a humanidade passarem além das fronteiras do presente, voltaremos a contemplar de pé, erguidos e seguros, após as noites do atual vandalismo, guardiães firmes da história viva que é a tradição perene, exemplos vivos da maneira em que os povos vivem sua vida autêntica indiferentes aos caprichos revolucionários que sacodem os cumes do poder político. A família cristã e o município romano seguem existindo, enquanto caem a cada geração monarquias e repúblicas, impérios e senhorios. Sua supremacia está na sua radical e singular autenticidade.

 

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