Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

A importância da feminilidade

moça do trigal viscontiPor April Jaure.

Em muitos lugares, em muitas culturas e em muitas épocas, a feminilidade foi tratada como sendo inferior à masculinidade. Mesmo em nosso tempo, quando muitas pessoas acreditam que as mulheres realizaram tantos progressos em direção à igualdade, grande parte das mulheres tem de se esforçar bastante para verem em si mesmas a dignidade e o cuidado com que foram criadas.

Por exemplo, quando olho para algo como a contracepção artificial, de uso tão comum, e hoje quase um rito de passagem para garotas que entram na adolescência, não posso deixar de pensar na mensagem de feminilidade que isso passa. Não é uma medicação que geralmente é dada para pessoas doentes visando curá-las de sua enfermidade, mas, pelo contrário, é usualmente oferecida para mulheres perfeitamente saudáveis, com o objetivo de alterar seu funcionamento natural, fazendo com que seus corpos comportem-se, não da maneira como foram designados pelo Criador, mas do modo que a sociedade vê como “melhor”.

A mensagem que a contracepção artificial passa é a de que os corpos das mulheres e sua fisiologia é intrinsecamente inferior ao comportamento dos homens, razão pela qual as mulheres devem recorrer a farmacêuticos para melhorá-los. A jovens mulheres, cujo corpo ainda está amadurecendo, é dito que a atitude “responsável” que devem tomar é alterar o o funcionamento de seu organismo, pois, obviamente, ele é defeituoso. As pessoas sustentam que as mulheres não serão livres a menos que tenham acesso a tais drogas e artifícios, o que significa dizer que nossos próprios corpos são nossos inimigos e que precisamos que a ciência liberte aqueles que como nós foram azarados o suficiente por terem nascido mulher.

Para mim, uma cultura que aceita a contracepção e o aborto como libertadores das mulheres é uma cultura que aceitou que ser mulher é um defeito, uma espécie de aposta errada cujo resultado foi desfavorável para mais de 50% da população, e, então, essa cultura, que olha tão desrespeitosamente para as mulheres, vira e chama essa visão de “feminismo”, quando nada poderia estar mais longe da verdade.

Eu sei que esta visão feminista da minha feminilidade vai de encontro à minha fé cristã. Minha fé ensina que eu fui criada distinta, ainda que igual aos homens. As funções femininas do meu corpo e da minha mente foram criadas com cuidado e amor. Fui criada à imagem e semelhança de Deus e possuo um “espírito feminino” – isto é, um modo de imaginar Deus que é próprio das mulheres.

Logo, concluo que as mulheres não precisam ser libertadas de si mesmas. Precisamos tornar-nos livres para sermos nós mesmas. Precisamos libertar-nos de uma cultura da mentira que ensina que nunca poderemos realizar nossos sonhos com esta nossa fisiologia e que devemos prejudicar as aptidões naturais dos nossos organismos.

Em vez de mudar as mulheres para que se adequem à cultura, devemos mudar a cultura para que se adeque às mulheres, e ao fazer isso acolha e respeite a dignidade de todas as vidas, de todos aqueles que a sociedade julga como “inferior” e “deficiente” – os nascituros, os idosos, os mentalmente incapacitados, e aqueles com deficiência física ou mental. São João Paulo II, em sua Encíclica Evangelium Vitae, afirma:

“Nessa viragem cultural a favor da vida, as mulheres têm um espaço de pensamento e acção singular e talvez determinante: compete a elas fazerem-se promotoras de um « novo feminismo » que, sem cair na tentação de seguir modelos « masculinizados », saiba reconhecer e exprimir o verdadeiro génio feminino em todas as manifestações da convivência civil, trabalhando pela superação de toda a forma de discriminação, violência e exploração”.

No Éden, Satanás enganou Eva fazendo-a duvidar da bondade de Deus. Disse o Demônio: “Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal” (Gen 3, 5). Com isso, ele plantou a dúvida na cabeça de Eva. Estaria Deus escondendo algo dela? Satanás induz que talvez Deus não seja tão confiável como parecia. O Diabo tenta-a com a promessa “sereis como deuses”. Contudo, Eva já era semelhante a Deus. Ela foi criada à sua imagem e semelhança. Além disso, Deus criou o mundo bom. Então, “conhecer o bem e o mal” significa que ela passaria a ver as coisas que foram criadas boas como más. Não é exatamente a mesma mensagem que as mulheres recebem atualmente? “Nós só podemos ser iguais se tivermos acesso ao aborto e ao controle artificial dos nascimentos”, dizem-nos. Mas Deus nos fala que nós já somos iguais, e que “ter acesso” a tais coisas nos passa a impressão de que algo bom e belo é algo mau. Passamos a ver nossa fisiologia e o dom da maternidade como um fardo e o funcionamento do nosso corpo como inferior e defeituoso.

Em resposta a essas mentiras, vamos imitar a quintessência da mulher, nossa Virgem Maria, que não conhecia o projeto inteiro de Deus e que não poderia saber o que o futuro reservava para ela. Mas ela sabia que podia confiar em Deus e então deu seu mais feminino “fiat”: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1, 38).

 

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Publicado às 8 08America/Belem março 08America/Belem 2016 por em April Jaure, Atualidade, Civilização, Feminismo, Moral e marcado , , .
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