Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Aspectos gerais da moda

20060303 - CITTA' DEL VATICANO - CRO  -  +++PAPA: RADIO DA' VOCE A S.SEDE E DIALOGA CON IL MONDO+++  Una foto di archivio del 1947  della visita di Papa  Pio XII alla radio Vaticana. ARCHIVIO ANSA/DEF

“é dado à veste exprimir a alegria e o luto, a autoridade e o poder, o orgulho e a simplicidade, a riqueza e a pobreza, o sagrado e o profano. A solidez das formas expressivas depende das tradições e de cultura desse ou daquele povo, enquanto que a sua mutabilidade é tanto mais lenta quanto mais estáveis são as instituições, os caracteres e os sentimentos que os feitios interpretam”.

Por Papa Pio XII.

Seguindo o conselho da antiga sabedoria que situa na finalidade das coisas o critério supremo de toda avaliação teórica e a segurança das normas morais, será útil lembrar que objetivos se propôs sempre o homem recorrendo à veste.

Sem dúvida ele obedece às muito bem conhecidas exigências da higiene, do pudor e do decoro. São três necessidades tão profundamente radicadas na natureza, que não podem ser ignoradas nem contrariadas sem provocar repulsa e dano. Conservam seu caráter de necessidade hoje como ontem; verificam-se quase em todas as raças; reconhecem-se sob cada forma da longa sucessão na qual se concretizou, histórica e etnologicamente, a necessidade natural da veste. É importante notar a estreita e solidária interdependência entre as três exigências, não obstante brotarem de fontes diversas: uma do lado físico, outra do espiritual, a terceira do complexo psicológico artístico.

A exigência higiênica da moda

A exigência da veste refere-se principalmente ao clima, às suas variações e outros agentes externos, como causas possíveis de mal-estar ou de doença. Da supracitada interdependência decorre que a razão, ou melhor, o pretexto higiênico não vale para justificar a deplorável licenciosidade, particularmente em público e fora dos casos excepcionais de provada necessidade, mesmo nos quais, por outro lado, todo espírito bem nascido não poderá subtrair-se à angústia de uma espontânea perturbação expressa exteriormente pelo rubor natural.

Do mesmo modo, uma maneira de vestir nociva à saúde, da qual não poucos exemplos são fornecidos pela história da moda, não pode ser legitimada pelo pretexto estético; como também as normas comuns do pudor devem ceder à necessidade de um tratamento médico que, embora pareça infringi-las, respeita-as, entretanto, empregando as devidas cautelas morais.

O pudor como origem e finalidade da veste

E igualmente patente, como origem e finalidade da veste, é a exigência natural do pudor entendido quer no sentido mais largo, que compreende também a devida consideração pela sensibilidade de outrem em face de objetos repugnantes à vista; quer sobretudo como proteção da honestidade moral e escudo contra a sensualidade desordenada.

A singular opinião que atribui à relatividade dessa ou daquela educação o senso do pudor; que, antes, o considera como uma deformação conceitual da realidade inocente, um falso produto da civilização, e, finalmente, um estímulo à desonestidade e uma fonte de hipocrisia, não é apoiada por nenhuma razão séria; ao contrário, encontra uma condenação explícita na consequente repugnância daqueles que alguma vez teriam ousado adotá-la como sistema de vida, confirmando desse modo a retidão do senso comum, manifesto nos costumes universais. O pudor, visto a sua significação estritamente moral, qualquer que seja a sua origem, funda-se sobre a tendência inata e mais ou menos consciente de cada um a defender, na indiscriminada cobiça de outrem, um bem físico seu, a fim de reservá-lo, com prudente escolha de circunstâncias, aos sábios fins do Criador, por Ele mesmo colocado sob o escudo da castidade e da pudicícia.

Esta segunda virtude, a pudicícia, cujo sinônimo “modéstia” (de “modus”, isto é, medida, limite) exprime talvez melhor a função de governar e de dominar as paixões, especialmente as sensuais, é baluarte natural da castidade, o seu forte antemural, pois modera os atos proximamente conexos com o objeto próprio da castidade. Como sua sentinela avançada, a pudicícia faz sentir ao homem a sua advertência desde que este adquire o uso da razão, antes ainda de aprender a noção de castidade e do seu objeto, e acompanha-o por toda a vida, exigindo que determinados atos, em si honestos, porque divinamente estabelecidos, sejam protegidos pelo discreto véu da sombra e pela reserva do silêncio, como que para lhes conferir o respeito devido à dignidade da sua elevada finalidade.

É pois justo que a pudicícia como depositária de bens tão preciosos reivindique para si uma autoridade preponderante sobre qualquer outra tendência ou capricho e presida à determinação dos modos de vestir.

O decoro e a estética no realce da beleza

E eis a terceira finalidade da veste, de onde mais diretamente se origina a moda, e que responde à exigência inata, sentida principalmente pela mulher, de realçar a beleza e dignidade da pessoa, com os mesmos meios que permitem satisfazer as outras duas. Para evitar restringir a amplidão desta terceira exigência unicamente à beleza física, e muito mais para subtrair o fenômeno da moda, à ânsia de sedução como causa primeira e única, é preferível o termo “decoro” ao de “adorno”. A inclinação ao decoro da própria pessoa procede claramente da natureza, e é portanto legítima.

Prescindindo do recurso à veste para ocultar as imperfeições físicas, a ela pede a juventude aquele realce de esplendor, que canta o alegre tema da primavera da vida e favorece, em harmonia com os ditames da pudicícia, as premissas psicológicas necessárias à formação de novas famílias; enquanto que a idade madura, pela veste apropriada, pretende obter uma aura de dignidade, de seriedade e de serena alegria. Em qualquer situação em que se vise acentuar a beleza moral da pessoa, a forma da veste será tal que quase eclipsará a física, na sombra austera do recato, para afastá-la da atenção dos sentidos e concentrar, pelo contrário, a reflexão sobre o espírito.

A veste, considerada por este lado mais largo, tem uma linguagem própria, multiforme e eficaz, por vezes espontânea, e portanto fiel intérprete de sentimentos e de costumes, outras convencional e artificial e por consequência pouco sincera.

De qualquer forma, é dado à veste exprimir a alegria e o luto, a autoridade e o poder, o orgulho e a simplicidade, a riqueza e a pobreza, o sagrado e o profano. A solidez das formas expressivas depende das tradições e de cultura desse ou daquele povo, enquanto que a sua mutabilidade é tanto mais lenta quanto mais estáveis são as instituições, os caracteres e os sentimentos que os feitios interpretam.

Para ressaltar a beleza física concorre expressamente a moda, arte antiga, de origens incertas, complexa pelos fatores psicológicos e sociais que nela se misturam, que presentemente adquiriu uma indiscutível importância na vida pública, quer como expressão estética do costume, quer como desejo do público e convergência de relevantes interesses econômicos.

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Publicado às 2 02America/Belem março 02America/Belem 2016 por em Beleza, Civilização, Cultura, Indivíduo, Moral, Papa Pio XII e marcado , , .
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