Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Subversão e pornografia

jardim das delicias bosch“Sempre que um intelectual grite ‘progresso, progresso’ e sempre que algum clérigo entusiasta proponha uma medida revolucionária ou surja algum líder da Igreja carismática a pregar uma reforma de caráter libertário, é mister perguntar: — Quem vai pagar a conta?”

Por Alfredo Lage.

Muito se enganaria quem na corrupção reinante em certos meios e ostentada com requintes de despudor, ou na onda de pornografia que ganhou o mass media, visse apenas um fenômeno de decadência moral paralelo aos excessos que, no dizer dos historiadores, assinalaram o declínio da Roma antiga.

Sem negar esse paralelismo, devemos notar primeiro que não há tal corrupção na escala em que se apregoa. Em segundo lugar, a divulgação dessa notícia aproveita à tática de uma facção revolucionaria. Da mesma maneira, procura-se dar a impressão que toda a juventude universitária é marxista ou simpatizante. Como sempre, uma minoria ativa, ligada à intelligentsia liberal, é que por meios hábeis domina a massa e maneja os órgãos de opinião.

Sobretudo, seria impossível compreender a “revolução sexual” tão espetacularmente montada e conduzida em todo o mundo, sem ligá-la a uma ofensiva geral para subverter o Cristianismo e, mais do que a religião cristã, a civilização cristã por ela informada, substituindo-a por outras “estruturas” (ou melhor “desestruturas”) e pondo no lugar da religião uma espiritualidade diversa (que de fato é anterior e exterior tanto ao judaísmo quanto ao cristianismo) tendo ao centro o homem, parcela desgarrada da divindade, o homem em marcha, na vanguarda do cosmos do qual é a parte pensante, para a reintegração na Totalidade divina. Ao mesmo tempo, caminha evidentemente esse homem para a comunhão total com os outros homens. Esse movimento de retorno e reintegração no Todo é desatado no indivíduo graças à tomada de consciência de sua presente situação de separação e conflito. A “revolução sexual” é apenas parte de uma tendência mais ampla para a fusão numa sorte de alma coletiva.

Notemos, por exemplo, que a corrupção moral não é apenas vivida como no paganismo, mas também planejada e dirigida para certas metas, e canalizada, justamente com outros meios de agressão, como a legalização da contracepção e do aborto, para a destruição da família. Particularmente, a homossexualidade é um meio de abolir a distinção (ou barreira, como eles dizem), sobretudo psicológica e moral entre os sexos institucionalizada no casamento. Com efeito, não se limitam os apologistas da vida devassa a pregar a sua prática. Pretendem legalizá-la, instituir o casamento homossexual, fundar a família tribal. No artigo de Martha Alencar em “Vozes” (Nọ 1 de 1971) anteriormente citado, lemos a propósito do sexo global: “Nessas relações o que chamamos de sexo é comunitário e multisensual. Não há nenhuma distinção aguda, artificial entre homem e mulher” (grifo meu). Os articulistas de “Vozes” insistem na artificialidade (sic) das diferenças de sexo.

Finalmente, como outrora o amor cortês, o sexo é proposto agora como uma via mística de união ou fusão afetiva. “À diferença do misticismo que procura passar por cima do sexo — sentencia um sociólogo vociferante citado por Martha Alencar — terão maiores possibilidades de êxito os misticismos que procurarem seus fins através do sexo”… Lembremos que para os Cátaros ou Albigenses (adeptos de uma corrente extremada de fundo gnóstico e maniqueísta na Idade Média) ao lado de formas de ascese que iam até o suicídio ritual, constituíam a promiscuidade e o desregramento um modo de manifestar desprezo e ódio pelo corpo.

Para comemorar o 70ọ aniversário de “Vozes”, venerável revista e editora católica que recentemente ingressou na vida airada depois de sofrer ampla remodelação plástica nas mãos de hábeis cirurgiões do IDO-C, os modernos Albigenses da Revolução Permanente mandaram vir ao Brasil a líder feminista Betty Friedam para um programa de conferências concomitantes com o lançamento de um livro da autora, em tradução. Agnóstica e contestatária, essa socióloga tem horror ao que denomina o “machismo” (odiosa discriminação masculina) o que não impede que, suspeitada da mesma tara, faça questão de acentuar: “Eu não odeio os homens, pelo contrário, prefiro-os como objetos sexuais” (Cito a entrevista coletiva aos jornais). Escreve o redator do “Jornal do Brasil” (14-4-1971):

“Um repórter apontou-lhe nesse instante uma incoerência:

— Então a senhora utiliza os homens também como simples objeto sexual?

Ela engrossou a voz (…) e quase gritou:

— Não é isso que vocês fazem com a gente?”

(“As mulheres americanas são maravilhosas, comenta Millôr Fernandes, que cito de memória. Num país que é um notório matriarcado, elas fazem campanha pela igualdade dos sexos”).

“Voz rouca com acentuado timbre masculino, parecendo de longe um travesti mais idoso” (assim a descreve o redator do JB) Betty Friedam prega o aborto, a igualdade do sexo e uma greve mundial das mulheres.

“A senhora é católica? Pergunta uma jornalista”.

“Betty suspira, desanimada. Ninguém parece estar entendendo o que ela explica”.

“Não, não sou católica. Mas que importância tem isso, meu Deus?”

“É que uma mulher católica não vai matar o filho pelo aborto! — exclama a jornalista.”

Quanto à “libertação” da mulher pregada pela socióloga Betty não é difícil descobrir quem há de pagar-lhe o preço. Primeiro com a vida. Depois com a própria saúde psicológica e moral. “É preciso reestruturar a sociedade — declara ela — a fim de permitir a participação da mulher na vida econômica: creches tomariam conta dos filhos para permitir que a mulher trabalhe fora”.

“As crianças pertencem à comunidade como nas tribos antigas…”.

Eis aí a sugestão que à guisa de presente de aniversário trazem os padres pós-franciscanos de “Vozes” à sociedade brasileira.

É tempo de aprender uma lição.

Sempre que um intelectual grite “progresso, progresso” e sempre que algum clérigo entusiasta proponha uma medida revolucionária ou surja algum líder da Igreja carismática a pregar uma reforma de caráter libertário, é mister perguntar: — Quem vai pagar a conta? Qual o preço dessa reforma? Quanto custará em termos de humanidade a facilidade técnica que nos é agora proposta? No ponto em que estamos, a menos que essa conduta se torne como que automatizada não haverá futuro para a humanidade.

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Publicado às 24 24America/Belem fevereiro 24America/Belem 2016 por em Alfredo Lage, Estado, Família, Feminismo, Liberdade, Moral e marcado , , , , .
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