Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

A ignorância que não se reconhece

“Nunca confiem em quem diz acarlosmar a humanidade, mas não ama o próximo”.

Por Carlos Ramalhete.

Dizem que um dos corolários da ignorância é a superestimação da própria originalidade: quem não conhece o mundo lá fora sempre se acha tremendamente original. O mesmo ocorre, evidentemente, com as pessoas de poucas leituras, como o proverbial “homem de um livro só” – seja este a Bíblia ou O Capital. Assim como quem só tem um martelo tende a achar que todo problema parece um prego, o ignorante que foi brevemente exposto a alguma explicação simplificadora do mundo, e só a ela, tende a crê-la a solução de todos os problemas. Pouco estudo acaba sendo um problema ainda maior que nenhum estudo; sua vítima perde o senso comum, sem conquistar uma percepção aprofundada das coisas.

O delírio demagógico atual fez disso a regra, ao “universalizar” os estudos superiores sem se dar conta de que, por definição, universalizá-los significa fazer com que deixem de ser propriamente superiores. As universidades trocaram de sinal, e em vez de apresentar o universo a uns poucos apresentam uma miséria de conhecimento à universalidade. O estudo superior foi substituído por leituras diagonais de fotocópias de capítulos de livros de divulgação e repetição de discursos simplificantes prontos, numa universalização generalizada da mediocridade em que palavras mágicas fazem as vezes de argumentos para os indoutos.

O suposto estudante, ao ouvir a acusação-tabu do seu pequeno círculo, recua horrorizado. Nada pior que um “fascista”, um “ímpio”, ou seja lá como a tribo dele desumanize o outro. Do mesmo modo, o pobre bobo já sorri e ronrona, satisfeito, quando ouve as palavras-chave positivas do seu meio. Ele é “progressista”, é “ungido”… Dá tudo na mesma, na verdade. O sentido próprio da palavra não interessa ao ignorante, que só a percebe como algo bom ou mau. Os “ungidos” não pingam óleo, e os “progressistas” suspiram por gerontocracias soviéticas. Não são mais que a massa de manobra de alguns espertalhões.

Se realmente estudassem, se levantassem os olhos da fotocópia e olhassem em torno, fazendo questão de jamais ler apenas um lado da questão, buscando sempre apreender os argumentos opostos, seu mundo ficaria mais complexo. Ele não seria mais todo em preto-e-branco, e as palavras mágicas perderiam seu poder. Ao sair da prisão da mediocridade, eles perceberiam claramente a demagogia disfarçada de democracia, o estelionato que se diz pastoreio, a escravidão que se quer liberdade e a ganância disfarçada de caridade.

O estudo aprofundado, contudo, não é para todos. Àqueles que não têm esta cruz a carregar, dou uma dica do tão vilipendiado senso comum: nunca confiem em quem diz amar a humanidade, mas não ama o próximo. É fácil declarar amor a uma abstração, e dificílimo amar pessoalmente.

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Um comentário em “A ignorância que não se reconhece

  1. Renato B.
    14 14America/Belem fevereiro 14America/Belem 2016

    Muito bom, por isso eu acho que estudantes universitários que se negam a fazer trabalhos sobre determinados temas por supostamente contrariarem suas convivei deveriam ser expulsos da universidade. São incompatíveis com a instituição. Afinal, uma das funções do estudo e justamente tirar da zona de conforto, abalar convicções.

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Publicado às 10 10America/Belem fevereiro 10America/Belem 2016 por em Carlos Ramalhete, Educação e marcado , .
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