Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

O que é a ideologia

carlos nougué“E por isso mesmo é que as ideologias podem dizer-se “religiões políticas”, ou seja, porque pretendem substituir aquilo que, de uma maneira ou de outra, verazmente ou falsamente, sempre regeu as cidades ou sociedades: a religião”.

Por Carlos Nougué.

I

Parafraseando a Aristóteles, diga-se que o homem é um animal de ciências e de artes. No sentido que nos interessa aqui, porém, ciência e arte identificam-se enquanto esta se distingue da experiência ou costume. Com efeito, ter o hábito de dada ciência natural (ou a Física, ou a Matemática, ou a Metafísica) implica que se conheçam de seu sujeito (ou seja, sua matéria segundo determinada formalidade) as causas, as partes, as propriedades, os efeitos. Mas também o artista conhece do sujeito de sua arte (a Marcenaria, a Medicina, a Arquitetura, a Música…) as causas, etc. Não as conhece, porém, o operário que apenas trabalha ou opera por experiência ou costume sob orientação de um artista: assim como algum obreiro pode tão somente serrar certas peças segundo o plano e a ordem de um marceneiro.[1] O que assim opera, opera, como dito, por experiência ou costume, e só se distingue nisto do animal porque, se este aprende também por experiência, não o faz senão no marco dos instintos próprios à sua espécie.[2]
II
Pois bem, é árduo o caminho que no homem leva à ciência (e à parte de ciência que há na arte). Se a ciência é a visão clara e o assentimento firme que se têm quando, a partir de determinados princípios, se demonstrou algo corretamente,[3] e se o método científico se ensina a partir do correto,[4] o fato é que, como dito na nota anterior, não se chega à verdade senão por longo e tortuoso caminho.
Com efeito, depois de possivelmente errar, suspeita-se que a verdade se encontra em um dos membros de uma dupla probabilidade. O próximo passo é a opinião, ou seja, o agarrar-se firmemente ao membro desse dilema que pareça mais provável, ainda com receio, contudo, de que a verdade esteja no outro membro. Quando porém já se têm ciência quanto a tal dupla probabilidade, isso quer dizer que já não se teme nada e que se está firmemente estabelecido, por uma clara visão intelectual, neste ou naquele membro do dilema.
Mas há outro modo intelectual de conhecer: a fé (religiosa, naturalmente).[5] Nesta não se tem a visão clara da ciência (porque, com efeito, os dados da fé nos são dados como por espelho, como em enigma),[6] mas, ao contrário do que se dá na suspeita da verdade e na opinião, na fé se tem a firmeza da ciência, antes de tudo pela autoridade de quem no-los dá e por moção sua.[7] Ora, por todo o dito, se não se quer incorrer em contradição patente e pois em falácia, não pode haver senão uma fé verdadeira: a fundada efetivamente em dados fornecidos pelo Deus verdadeiro (quer dizer, enquanto considerado segundo a completude que nos é dado “ver” por trás do véu da fé). Mas a verdade primeira ou divina, ou seja, o objeto da fé em toda a sua formalidade, não no-lo pode dar Deus contraditoriamente, ou seja, de um modo em uma religião e de outro modo, contraditório com aquele, em outra. Por conseguinte, não pode haver simpliciter senão uma só religião, enquanto as outras não se chamam religiões senão secundum quid, isto é, enquanto compartilham algo da verdadeira sendo, porém, simpliciter falsas.
Não nos interessa aqui mostrar em que se funda que consideremos a nossa religião a religião, ou seja, a única verdadeira. Interessa-nos, isto sim, mostrar que há outras formas que também se podem chamar religião secundum quid, e que, todavia, em verdade, não passam de contrafações da religião na medida mesma em que se querem substituir a ela sem alçar-se, no entanto, do político: são as ideologias ou, no dizer de Eric Voegelin, as religiões políticas.[8]

III

Mas o mundo atual está contaminado de doutrina marxista também quanto ao que nos interessa aqui. Segundo Marx e Engels, os inventores do chamado “socialismo científico”, tudo quanto resulta do intelecto – ou seja, ciência, opinião, ideias políticas, religião, o próprio estado, etc. – decorre do estágio das forças produtivas e constitui a “superestrutura político-ideológica” da sociedade, excluído, “naturalmente”, o mesmo socialismo científico (ou seja, o materialismo dialético ou histórico). Esta doutrina, precisamente por científica, estaria destinada a ser assimilada pela classe revolucionária, o proletariado industrial, para que este eliminasse pela revolução e por uma ditadura (sanguinária quanto necessário) a superestrutura político-ideológica burguesa (que não faz senão perpetuar a exploração da classe operária) e, assim, pudesse atingir tal desenvolvimento coletivo das forças produtivas, que tornasse desnecessário o mesmo estado (incluída a ditadura do proletariado). Alcançar-se-ia assim o comunismo, ou sociedade sem classes, na qual cada um não daria senão segundo sua possibilidade, mas teria tudo segundo sua necessidade. Fechar-se-ia, desse modo, o triplo ciclo da história: sociedade sem classes primitiva, sociedade de classes, sociedade sem classes última, a comunista.
Se porém não se está obnubilado pela mesma tese marxista, não é difícil notar que seu fundamento é perfeitamente pro domo sua, ou seja, “por sua casa”, ou seja, em benefício próprio, em causa própria. Com efeito, não se vê por que o materialismo científico seria o único a escapar da tacha de ideologia, se não é porque ele mesmo se imbuiu do caráter messiânico que de algum modo lhe permitira a Revolução Francesa e a dialética heráclito-hegeliana – ou seja, a que admite a anulação ou confusão não só dos opostos ou contrários, mas ainda dos contraditórios, ou no Ígneo, no caso de Heráclito de Éfeso, ou na síntese ou como reificação última do Espírito Absoluto, no caso de Hegel.
Objetarão porém os marxistas: ainda que se conceda que assim é, ou seja, que o marxismo também é ideologia, não se vê então por que não o seria a religião, porque, como o marxismo, ela se exclui das ideologias com fundamento igualmente pro domo sua. Responde-se, inicialmente: a religião não só se exclui a si mesma das ideologias, senão que exclui delas ainda a ciência, e em princípio a opinião, as ideias políticas, o próprio estado, etc. O restante da resposta dar-se-á mais adiante.

IV

É todavia insuficiente assinalar que o marxismo argumenta pro domo, e é grande mérito de Eric Voegelin o ter assinalado, pela primeira vez, que as ideologias, incluído o marxismo ou sobretudo ele, têm origem e caráter precisos.[9]
a) Antes de tudo, originam-se todas, mais ou menos remotamente, da heresia do abade cisterciense Joaquim de Fiori (1135-1202), segundo a qual a história do mundo se constituiria de tripla idade: a primeira seria a de Deus Pai, a segunda a de Deus Filho, a terceira a do Espírito Santo, ou seja, o milênio profetizado no Apocalipse de São João. Sem entrar no mérito da mesma heresia, e como mostra Voegelin detida e longamente, todas as ideologias se seguiram dela e todas advogaram ou advogam alguma tripla idade da história. Com efeito, já o humanismo renascentista dividiu a história em idade antiga, em idade média e em idade moderna. Caudatário disto é o liberalismo, que levou ou à Revolução Francesa, em que a idade moderna passou a identificar-se com a democracia e a realização do lema “liberdade, igualdade, fraternidade”, ou à propugnação de uma sociedade final quase sem estado e de absoluto livre mercado, mercado que por si só, um pouco ao modo de como se daria o fim do estado com o comunismo, resolveria todos os problemas que afetam desde sempre a pólis.[10] É caudatário da mesma heresia ainda o positivismo e suas três idades. Nem seria preciso dizer que o marxismo é uma como coroação ateística do joaquimismo, mas de um ateísmo que não escapa de ser uma imitação invertida do verdadeiramente religioso: o comunismo seria na Terra o que a Jerusalém Celeste é para os bem-aventurados. Por fim, tem ainda a mesma origem o nazismo e seu Terceiro Reich ou Reino, de fundo racialmente antijudaico, mas gnosticamente, diga-se, anticristão.[11]
b) O caráter das ideologias, portanto, proclamem-se ou não ciência, já se antevê pelo que se acaba de dizer: ser uma contrafação da religião. Já o mostramos quanto ao marxismo. Tome-se, porém, o mesmo lema liberal-revolucionário “liberdade, igualdade, fraternidade” e ver-se-á, sem grande dificuldade, que se trata de contrafação ou mundanização da tripla virtude teologal, ou seja, a fé, a esperança e a caridade, que, lembremos, são infundidas por Deus e de que somos incapazes por nós mesmos. E assim por diante. E por isso mesmo é que as ideologias podem dizer-se “religiões políticas”, ou seja, porque pretendem substituir aquilo que, de uma maneira ou de outra, verazmente ou falsamente, sempre regeu as cidades ou sociedades: a religião. Já estava o feiticeiro, o xamã, o pajé nos grupos tribais, segundo certo conjunto de crenças no sobrenatural; os brâmanes e seus Vedas na Índia; a imprecação desesperada dos gregos a seus deuses para que abrandassem a mão de ferro com que os condenavam ao trágico, sempre segundo o mitológico, ou segundo a salvação pela gnose no âmbito de certos mistérios; o mesmo, mutatis mutandis, entre os romanos; e, naturalmente, aí esteve o povo eleito (a única sociedade que por um tempo, ou seja, até aos reis, pôde dizer-se propriamente teocrática, isto é, governada diretamente por Deus), e aí esteve a cristandade, ou seja, a civilização cristã, que se estendeu muito firmemente de Constantino até ao século XIII, para depois ir-se dissolvendo pouco a pouco por causas múltiplas.[12] Mas as ideologias, insista-se, visam precisamente ou a acabar com a religião, ou ao menos a marginalizá-la grandemente, de modo que se ponham soberanas em seu lugar. Por isso podem dizer-se “religiões”, ou seja, precisamente porque pretendem exercer a direção espiritual da pólis como o fazia a religião, e “políticas”, exatamente porque de modo algum provêm ou se consideram do sobrenatural, senão que deitam raízes unicamente no político, sem nenhuma perspectiva de transcendência. As ideologias implicam o encerramento dos homens num horizonte preciso, o de terminarem absolutamente como pasto de vermes; e entre suas vítimas estão seus mesmos propugnadores.

V

Mas insistirão os ideólogos: não se vê ao menos por que a religião pode excluir-se das ideologias, até porque a cristandade se organizou em regimes políticos, e ordenados ao poder eclesiástico em matéria de fé e de costumes, como propugna a mesma doutrina católica. Responde-se a isso triplamente, no âmbito estreito deste artigo.[13]
a) A religião pretende-se relevada e fundada por Deus mesmo, enquanto as ideologias políticas pretendem-se resultado de nossa pura mente, a mesma de que, segundo o marxismo, brotam as ideologias, ou que, segundo outras ideologias, é capaz por si de perfeição e de absoluto. Mas é patente, em primeiro lugar, que nosso intelecto é limitado e incapaz de definir até muitas coisas materiais, de arrostar exitosamente a fúria da natureza, de evitar as mazelas sociais,[14] de suprimir a doença e a morte, etc., isso para não falar de sua permanente frustração enquanto se pensa capaz de dominar o vasto universo… Se assim é, se tão limitado é nosso intelecto, não se vê por onde seria capaz de instaurar nenhum reino final terreno, de perfeita felicidade.
b) Por isso mesmo é que até o que não tem fé haveria de considerar como o mais conveniente que recebêssemos de Deus, e não de nosso limitado intelecto, todo o conhecimento respeitante ao fim do homem[15]. Mas, justamente por falta de fé, o que não a têm não poderia considerar assim senão ex suppositione, e não lhe restaria senão dupla possibilidade: ou o niilismo, que implica o desespero e todas as suas nefastas consequências,[16] ou a adesão a uma ideologia ou religião política, o que implica todas as contradições e todos os resultados igualmente nefastos de sua aplicação – além de não eliminar o desespero e suas consequências, porque, com efeito, ainda que se digam os mais convictos e orgulhosos dos ateus, todos quereriam de algum modo a eternidade, se tal fosse possível.
c) Por fim, por todo o dito até aqui, a ideologia não pode aplicar-se senão mediante alguma revolução, ou seja, mediante uma solução radical de continuidade. Pode ser uma revolução nas artes, nos costumes, ou na ciência (como se antes nenhum filósofo tivesse dito verdade central alguma), ou uma verdadeira carnificina sob sua bandeira ou sob o estado que as encarne (como se fora uma reificação sanguinária mas necessária do espírito absoluto). Mas a religião – e falamos agora exclusivamente do catolicismo – não prega nenhuma revolução, nem nunca aplicou nenhuma.[17] Batiza tudo, mas conservando-o o mais possível; e isso é assim porque, como diz Santo Tomás, a graça não destrói a natureza, senão que vem aperfeiçoá-la. Batiza as artes e os costumes, razão por que pode assumir os olhos amendoados no Oriente e a pele negra na África. E batiza os próprios regimes políticos. Para os doutores católicos e para o magistério da Igreja, qualquer regime é bom (desde que não corrompido, ou seja, desde que não vise a atender a apenas uma parte da sociedade): a monarquia, a aristocracia, a politia ou democracia sem democratismo,[18] ou ainda o regime misto propugnado por Santo Tomás de Aquino, isto é, uma mescla de monarquia, de aristocracia e de democracia; mas não assim suas corrupções, a saber: a tirania, a oligarquia e, digamos, o democratismo. E estejamos certos de que, se o mundo voltar a cristianizar-se,[19] não se parecerá com o mundo do Medievo cristão senão quanto à ordenação a Deus, assim como somente quanto a tal ordenação o Medievo cristão se pareceu com o Império Romano cristão. Se portanto o Medievo pode, em certo sentido, dizer-se a “idade de ouro” da cristandade, não pode, todavia, dizer-se tal absolutamente, ou seja, miticamente, e não entendê-lo é fornecer combustível exatamente aos que querem arrolar a religião entre as ideologias. Não o façamos, e distinguir-nos-emos cabalmente, como devido, de toda e qualquer “religião política”.

Observação final. Aristóteles demonstrou, em vários lugares e do ângulo da pura razão (ou seja, sem contar com a revelação), não só que o fim do homem é a vida contemplativa (bíos theōrētikós), ou seja, a contemplação de Deus, senão que o homem deve imitar em sua própria vida a vida divina. Ora, o chamado “socialismo científico” nega-o. Não é científico, portanto. Mas tampouco se pretende opinião. Por conseguinte, não resta senão que seja ideologia.

_________________________
[1] Por isso mesmo é que o artista pode ensinar sua arte, enquanto o que opera ou trabalha só por experiência ou costume não o pode fazer.
[2] A espécie humana, por seu lado, é dotada de muito poucos instintos (como o da sucção do seio materno no bebê ou o da proteção da cabeça antes que do restante do corpo). Ainda quando faz algo por experiência ou costume, nunca deixa de contar com as espécies inteligíveis abstraídas pelo intelecto agente e impressas no intelecto possível.
[3] Ou seja, segundo o estabelecido por Aristóteles nos Analíticos Posteriores e por Santo Tomás de Aquino no Comentário a este tratado aristotélico.
[4] Com efeito, se na prática costumamos errar antes de suspeitar a verdade, para depois opinar quanto a ela e para, enfim, alcançá-la, não podemos porém saber se se trata de erro senão com a régua da verdade, razão por que se têm de ensinar e de aprender antes os Analíticos (os Anteriores e os Posteriores) para depois passar à Tópica ou Dialética, depois à Retórica, depois à Poética, e por fim às Refutações Sofísticas (Σοφιστικοὶ Ἔλεγχο, De Sophisticis Elenchis). São os tratados que compõem o Órganon aristotélico.
[5] Como se explica detidamente em nossos hangouts sobre esta virtude teologal e que, salvo qualquer impossibilidade, se dão todas as segundas-feiras às 21 horas.
[6] Mas o que hoje se vê por trás dos véus da fé, amanhã, ou seja, na beatitude eterna, ou seja, pelos que a atingirem, se verá por essência – com o que descansará para sempre o intelecto do homem.
[7] Neste sentido, como o define Santo Tomás de Aquino, crer é assentir intelectualmente à verdade divina por moção da vontade, movida esta, por seu lado, pela graça.
[8] Não podemos concordar com tudo o que diz Voegelin. Mas não trataremos aqui tais incompatibilidades. Fiquem para o anunciado na nota prévia.
[9] Quanto à origem, cingir-nos-emos às conclusões de Voegelin; quanto ao mais, muito será de nossa parte.
[10] Mas o resultado geral não só do absolutismo monárquico pré-revolução mas do mesmo liberalismo revolucionário é a hipertrofia iníqua do estado, de modo que a democracia passa a ser outro nome da pior das tiranias: a que esmaga os corpos intermediários da sociedade, e em especial a família, e transforma os cidadãos em massa sua. – Mas a doutrina católica exposta por seus doutores e pelo magistério da Igreja sempre propugnou um mercado livre e um estado mínimo. Sua diferença com os liberais que os propugnam é a extensão com que se entende tal “mínimo” e tal “livre”, assunto que fica ainda para o anunciado na nota prévia.
[11] Para certificar-se disto último, basta ler umas poucas linhas do repugnante Mein Kampf.
[12] Entre os quais a rebelião da carne contra as exigências do espírito, o fim progressivo da ordenação do poder civil ao eclesiástico em matéria de fé e de costumes, a substituição progressiva da cultura cristã por uma renascida cultura pagã, etc., etc., etc.
[13] Quando se tratar de âmbito mais largo, tal resposta haverá de ser muito mais que tripla.
[14] E o mais “curioso” nas ideologias, conquanto de todo coerente com elas, é que consideram seus fracassos práticos não como fracassos seus, mas sempre de uma incompleta ou deficiente aplicação de seus princípios. Assim, o fracasso do comunismo é fracasso do “socialismo real”; o do liberalismo econômico, o do sempre incompleto cumprimento dos ditames liberais; etc. Daí se vê que as ideologias são, ademais, idealistas. Mas o idealismo, se vertido no campo do prático, é sempre quimérico, no duplo sentido da palavra: o de impossível, e o de monstruoso.
[15] E é o que quereria o Platão do Fédon (85 c-d): “Acerca destes temas é preciso conseguir uma das seguintes coisas: ou aprender com outro como eles são, ou descobri-los por contra própria, ou, se isto for impossível, tomando dentre as explicações humanas a melhor e mais difícil de refutar, deixar-se levar nela como numa balsa para sulcar a existência, já que não podemos fazer a travessia de maneira mais estável e menos arriscada num veículo mais seguro, ou seja, com uma revelação divina”.
[16] Até porque, segundo o niilismo, o homem seria o único animal cujo apetite principal (o de eternidade) seria vão. Com efeito, todos os outros animais só apetecem o que sua natureza pode alcançar de algum modo.
[17] Além de preferir padecer o mal, o que nos traz a palma da vitória, a fazer o mal – como aliás já propugnavam de certa maneira Sócrates e Platão.
[18] Aliás, um conservador como Roger Scruton, talvez um pouco por discípulo de Edmund Burke (1729-1797), admite perfeitamente a democracia sem sufrágio universal nem partidos (ao menos como os atuais).
[19] Coisa que não cremos, a não ser que se dê, como se dará, com a brevidade de que falam nossos doutores, fundados nas Escrituras, e as mensagens de Nossa Senhora. Com efeito, Santo Agostinho falava de um período brevíssimo de novo fulgor da Igreja, de cerca de três anos (salvo engano nosso), entre a morte do Anticristo e a Parusia. Trata-se, sim, de questão disputada, e opinável; mas as opiniões quanto a isto parecem implicar consequências diversas, isto é, ou prudentes ou muitas vezes imprudentes (no sentido científico destas palavras). Tratamo-lo em vários lugares.

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Publicado às 7 07America/Belem janeiro 07America/Belem 2016 por em Carlos Nougué, Coletivismo, Filosofia, Política, Religião e marcado , , , , , , .
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