Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Natividade

PCOPor Plínio Corrêa de Oliveira.

A véspera de Natal se aproxima cada vez mais, vamos fazer aqui uma consideração a respeito da própria festa do Natal.

O que estava no estado de espírito de Nossa Senhora a respeito do Natal? O que o Natal representava de novo para Nossa Senhora? Afinal de contas, Nossa Senhora tinha Nosso Senhor, que Ela carregava dentro de si como um tabernáculo, e tinha com Ele a maior intimidade, que era, evidentemente, um comércio de alma. Porque é certo que Nosso Senhor já estava gozando de pensamento dentro do ventre materno. Ele gozou de pensamento desde o primeiro instante de seu ser, e por isto Ele tinha uma comunicação com Ela contínua, uma comunicação dEle não só enquanto pessoa da Santíssima Trindade, mas dEle enquanto Homem-Deus com Nossa Senhora como sua Mãe.

E nestas condições nós não devemos imaginar que o nascimento de Nosso Senhor foi para Nossa Senhora como que um ato pelo qual Ela tomou conhecimento do Filho. Esse conhecimento Ela já tinha e já o tinha muito íntimo e muito ardente. Então, o que o Natal representou de novo para Nossa Senhora?

Em primeiro lugar, naturalmente, há um pensamento que é óbvio: o Natal foi o momento em que Nossa Senhora deu Nosso Senhor ao mundo. E que Nosso Senhor abandonou o claustro materno, veio ao mundo e veio ao mundo pelos braços dEla. E, naturalmente, no momento em que Nosso Senhor nasceu, no momento em que de um modo misterioso e sem trazer qualquer prejuízo à virgindade de Nossa Senhora Ele entrou no mundo, esse momento deve ter sido um momento altíssimo. Deve ter sido um momento de grande manifestação de gozo, deve ter sido um momento de contato de alma intimíssimo dEle com Ela.

E tem que ter sido um ato de amor intensíssimo o momento em que Nosso Senhor nasceu, em que Ela, com certeza, estava levada a um grau de mística inexprimivelmente alto, ao mesmo tempo tomava contato com a divindade de Nosso Senhor.

Este ato, esta cena do nascimento deve ter sido presidida e analisada pelas três pessoas da Santíssima Trindade e por todos os anjos do céu, com cânticos e com festas. Quer dizer, o momento do nascimento, a operação do Natal de Nosso Senhor deve ter sido uma das maiores festas que houve no Céu, e das maiores glórias da história da humanidade. E Nossa Senhora associada a isto com uma intimidade e com um grau de união com Deus, que é realmente inimaginável!

Naturalmente isto foi para Nossa Senhora algo de muita importância. Mas era só isto? Eu tenho a impressão que havia uma outra coisa. Nossa Senhora ainda não tinha visto a face sagrada de Nosso Senhor. Ela não tinha visto a face de Nosso Senhor, não tinha visto o corpo de Nosso Senhor.

E na realidade física, símbolo da realidade espiritual, os traços da face. Sobretudo em Nosso Senhor, que era perfeitíssimo e em quem não havia nenhuma forma de fraude, de engano, de insuficiência ou de coisa não acertada. Se nos homens, de um modo geral, embora confuso, a face traz uma expressão da alma, os senhores podem imaginar a face Sacratíssima de Nosso Senhor, e todo o corpo de Nosso Senhor, como traziam a expressão da alma dEle!

Então Nossa Senhora adquiriu novo título de conhecimento de Nosso Senhor, que era exatamente Nosso Senhor conhecido em Sua face, Nosso Senhor conhecido em Seu olhar, Nosso Senhor conhecido em cada membro de seu corpo, já indicativo de toda a sua mentalidade, de toda a sua alma. E aí então um título novo para o amor, um título novo para a união, certamente um incentivo para as adorações inefáveis que Nossa Senhora apresentou a Nosso Senhor na noite de Natal.

Considere-se que não só cada traço do rosto é a expressão de uma mentalidade, mas que sobretudo o olhar é a expressão de uma mentalidade. E isso, a seu modo, várias outras partes do corpo exprimem: o pescoço, os ombros, as mãos, os pés, várias partes destas são indicativas de uma mentalidade, sobretudo tudo isto num conjunto. Podemos então imaginar Nossa Senhora contemplando esta expressão manifestativa da realidade psicológica e sobrenatural de Nosso Senhor e adorando-a profundamente.

* * *

Neste ponto há que se fazer uma retificação a respeito de algo que a iconografia da Renascença deformou completamente. Ela apresenta o Menino Jesus como uma criancinha bobinha, para dar a idéia da suma pureza do Menino Jesus. Mas uma criancinha inexpressiva, que está brincando, se ajeitando, e na qual não há ainda nenhuma indicação de mentalidade. Tenho enorme dificuldade em admitir que isto tenha sido assim.

A meu ver, pelo contrário, tudo aquilo que nós admiramos em Nosso Senhor adulto, – a elevação, mais que elevação, transcendência; uma alma de tal maneira elevada que está colocada inteiramente em outra região e lembra aquela frase dEle: “Meus caminhos não são vossos caminhos nem as minhas cogitações são as vossas cogitações”; aquela posição interior de Nosso Senhor em que se vê que Ele tem todo um céu interno dentro do qual está, e do alto do qual olha com bondade para a humanidade; mas é uma bondade sobre uma humanidade distante, que a misericórdia dEle torna próxima; todo aquele equilíbrio, distinção, afabilidade e força de Nosso Senhor; tudo isto que faz que na Sacratíssima face dEle se exprimam perfeições morais verdadeiramente inefáveis – tudo isto eu tenho a impressão que já [estava] expresso na face e no corpo do Menino Jesus.

E é de tudo isto que o Natal é uma primeira manifestação e para tudo isto convergiu a adoração de Nossa Senhora. A adoração de Nossa Senhora, a adoração de São José que estava perto dEla e que participava deste ato de adoração como esposo dEla e como pai do Menino Jesus. Que Nossa Senhora, naquela união de alma com Nosso Senhor, estivesse tendo uma relação que nós nem bem entendemos, é evidente. Da parte de São José os senhores podem imaginar a ternura, o respeito, o entusiasmo, a adoração, a veneração vendo aquele Menino que ele sabia que era filho do Espírito Santo e de Nossa Senhora, – mas legalmente filho dele e que em parte na pessoa dele se tornava filho de David e cumpria as profecias – e ele olhar para aquele Menino e pensar que, afinal de contas, aquele Menino era o Deus dele e o Deus de todos os homens; e ao mesmo tempo era filho dele, era o filho da esposa dele. O que aquilo deveria representar, considerando a santidade de Nosso Senhor que resplendia de todo presépio, que resplendia de toda a pessoa dEle sobretudo?

Esta idéia, portanto, da manifestação da pessoa humana, ou do corpo humano de Nosso Senhor Jesus Cristo no Natal, como manifestação de Sua santidade de alma, santidade que é a manifestação da dignidade hipostaticamente unida à natureza humana, isto eu tenho a impressão de que é o que deveria extasiar! E é o que na noite de Natal nós mais devemos considerar.

Há uma porção de santinhos que apresentam a noite de Natal, a cena de Natal com o berço do menino Jesus cheio de luz e o menino com uma carinha de bobinho. A luz não estava na palha, a luz estava no Menino, sobretudo na fisionomia do Menino, na face sacratíssima do Menino.

É isto que me parece constituir uma meditação interessante para o Natal, e que podemos ir exercitando durante estes dias, termos por tema de piedade durante estes dias. Vamos pedir a Nossa Senhora e a São José que nos façam entender bem isto e que nos dêem alento para um Natal verdadeiramente recolhido e piedoso neste mistério criado por este pensamento.

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Publicado às 23 23America/Belem dezembro 23America/Belem 2015 por em Cultura, Humanidade, Plínio Corrêa de Oliveira, Religião e marcado , .
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