Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Religião e ciência

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“Nenhuma cultura humana se pôs em movimento, nem civilização alguma irrompeu no curso da história sem um impulso religioso inicial”

Por Rafael Gambra.

Nenhuma cultura humana se pôs em movimento, nem civilização alguma irrompeu no curso da história sem um impulso religioso inicial, isto é, sem um apelo – real ou imaginário – do Céu a um destino coletivo.

Por isso mesmo, enquanto este conhecimento superior é o motor espiritual do homem – este ser finito com desejo de infinitude – é também o campo da função imaginativa e emocional, da tentação mitificadora. E é sua extrapolação aos campos da intuição física e intelectual – o domínio das ciências –  a origem mais comum da imobilização do espírito em atitudes mítico-mágicas duradouras.

O espírito da civilização cristã consistiu, humanamente falando, tanto em saber preservar o depósito da fé e se aprofundar em seu conteúdo – outorgando, assim, coerência e fervor às mentes – como em evitar sua interferência na esfera das instituições – e de saberes – propriamente humanos. Sustentar o fundamento e a inspiração última de nossa cultura, e desobstruir ao mesmo tempo o caminho de seu próprio trajeto intelectual:  essa foi a obra da Igreja com sua concepção medieval dos poderes, o civil e o eclesiástico, o Pontificado e o Império.

A Igreja, precisamente por sua função de preservar, esclarecer, aprofundar o conteúdo da Revelação e de administra – somente ela – os dons sobrenaturais, foi também a criadora do ambiente mais propício para o desenvolvimento do saber e do fazer humanos, das ciências e das artes. De fato, nossa cultura não se lançou, como a civilização greco-latina, na gnose ocultista do helenismo, nem no “quietismo” [anulação pragmática do indivíduo frente ao plano secular] do Islã ou de outras religiões orientais, senão no esplendor do Renascimento e no grande desenvolvimento da Modernidade. Dois séculos de interpretação histórica racionalista nos legaram uma visão sombria dos alicerces medievais da nossa civilização, como se ela pudesse ter brotado subitamente de determinadas atitudes “libertadoras” do Renascimento ou da revolução moderna.

 

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Publicado às 16 16America/Belem dezembro 16America/Belem 2015 por em Civilização, Cultura, História, Rafael Gambra, Religião e marcado , , , , .
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