Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Política contra o progresso

“Apesar do ambientalismo fundamentalista, o agro é o que é: uma ilha de competitividade”

Por Kátia Abreu.
Durante 4.000 anos, tanto a população quanto a economia do mundo praticamente não cresceram.
Os padrões de bem-estar, salvo algumas oscilações, permaneceram basicamente inalterados para a quase totalidade dos seres humanos até que, a partir do século 18, os avanços da ciência e da técnica tornaram possível o crescimento das populações e das economias. Na perspectiva da longa história do homem, o crescimento econômico é fato relativamente recente.
Dos anos 1700 até agora, todo o mundo cresceu e progrediu, mas alguns países cresceram muito mais que os outros. As razões das diferenças são objeto de muita discussão e controvérsia, mas um ponto é pacífico: cresceram mais as economias em que a aplicação de novas tecnologias alavancou o aumento da produtividade.
O aumento das populações também contribuiu para esse processo, mas hoje esse fator praticamente se esgotou, pois tanto nos países ricos quanto nos emergentes elas deixaram de crescer. Daqui em diante, quase todo o crescimento econô- mico vai depender do aumento da produtividade.
Aumento da produtividade significa, especialmente, adoção de novas tecnologias que permitam obter mais produto com a mesma quantidade de trabalho ou de outros fatores produtivos, como a terra.
A economia brasileira parece enredada numa situação de baixo crescimento, com muitos setores perdendo até a capacidade de competir com o exterior. Isso é grave, pois nenhuma economia consegue se proteger completamente da competição externa. A exceção, aqui, é a produção rural, que há 40 anos experimenta grandes saltos de produtividade.
Produzimos cada vez mais, com menos trabalho e sem aumentar a terra cultivada. Isso foi obtido com grandes doses de novas tecnologias, representadas por novas sementes, aplicação racional de fertilizantes e defensivos agrícolas, novos equipamentos e aproveitamento dos progressos da biotecnologia.
Os países ricos da Europa podem se dar ao luxo de crescer pouco porque têm populações pequenas e quase declinantes e uma renda por habitante de US$ 40 mil a US$ 50 mil. A maior parte do mundo está longe desses padrões. Precisa crescer, e muito, para propi- ciar níveis civilizados de bem-estar material.
No entanto, existem na socie- dade brasileira segmentos influentes, cujo pensamento tem suas matrizes nesses países, tais como a Holanda, a Dinamarca ou a Suécia, que não precisam mais crescer e até mesmo prefeririam uma economia estacionária, especialmente a agricultura e a pecuária, que, de acordo com eles, competem com a paisagem natural.
E esse pensamento, quando infiltrado nas esferas públicas de decisão, faz o que pode para tornar a nossa agricultura também estacionária, seja usando mais métodos tradicionais de cultivo, reduzindo a aplicação de insumos modernos e, sobretudo, fechando a porta para novos recursos da biotecnologia, especialmente os transgênicos.
Os Estados Unidos adotam amplamente os materiais transgênicos e são líderes incontestáveis de produtividade agrícola. O Brasil chegou a essas tecnologias com mais de dez anos de atraso, em razão da oposição que grupos ambientalistas, alguns com matriz nos países ricos da Europa, conseguiram mobilizar, aproveitando-se da ocupação de posições estratégicas no Estado brasileiro.
Primeiro trataram de proibir as pesquisas, por meio de regulamentações bizantinas expedidas pelo Ibama, que demorava de quatro a seis anos para autorizar um simples experimento de 500 metros quadrados. Depois, exigindo uma série de licenças ambientais que jamais eram concedidas e, finalmente, fixando quórum de dois terços para a aprovação de novas sementes na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).
Todos esses entraves foram pacientemente vencidos com a participação do Congresso Nacional e até do presidente Lula, que se recusou a vetar a nova legislação, como lhe recomendara o Ministério do Meio Ambiente em 2005.
O ambientalismo fundamentalista tem colocado pedras no nosso caminho e já nos atrasou em mais de uma década. Apesar dele, porém, o agro é o que é: uma ilha de competitividade, que faz uma das maiores agriculturas do planeta.

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Publicado às 9 09America/Belem junho 09America/Belem 2015 por em Agricultura, Estado, Kátia Abreu e marcado , , , .
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