Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Os quatro cavaleiros do apocalipse

ives gandra

“Felizmente, o Brasil é uma nação que desconhece os quatro cavaleiros do Apocalipse , pátria em que todos são idealistas e incorruptíveis , razão pela qual este artigo é uma mera digressão filosófica”.

Por Ives Gandra da Silva Martins.

Como nos filmes, começo este artigo in formando que qualquer semelhança do que vou escrever com pessoas ou governos é mera coincidência .
Em dois livros meus, “Uma breve teoria do poder” e “A queda dos mitos econômicos” , edições esgotadas, procurei mostrar que quem busca o Poder , na esmagadora maioria dos casos, pouco está pensando em prestar serviços públicos , mas em mandar , usufruir ou bene ficiar-se do governo. Prestar serviços públicos é um mero e feito colateral, não necessário . Com maior ou menor intensidade, tal fenômeno ocorreu em todos os períodos históricos e em todos os espaços geográ ficos .
É bem verdade que a evolução do Direito e da Democracia , nos dois últimos séculos , tem permitido um certo , mas insu ficiente, controle do exercício do poder pelos quatro cavaleiros do apocalipse – o político, o burocrata , o corrupto e o incompetente -, razão pela qual as nações encontram-se permanentemente, em crise . A “Utopia” de Moore, a “República” de Platão e “A cidade do sol” de Campanella exteriorizam ideais para um mundo, em que a natureza humana seria re formada por valores que, embora vivenciados por muitos, raramente são encontrados
nos que exercem o poder .
O primeiro dos quatro cavaleiros do Apocalipse, o político , na maior parte das vezes , para alcançar ascensão na carreira, dedica-se exclusivamente à “desconstrução da imagem” dos adversários . Tem razão Carl Schmitt, em sua teoria das oposições , ao declarar que o político estuda o choque permanente entre o “amigo” e o “inimigo”. Todos os meios são válidos, quando o poder é o fim . A ética é virtude descartável, pois dificulta a carreira.
O burocrata , como dizia Alvim To ffler, é um “integrador do poder” . Presta concurso público para sua segurança pessoal, porém , mais do que servir ao público, serve-se do público para crescer e, quanto mais cria problemas para a sociedade, na administração, mais justifica o crescimento das estruturas governamentais sustentadas pelos tributos de todos os contribuintes. Há países que se tornaram campeões em exigências administrativas , as quais atravancam seu desenvolvimento , apenas para justificar a permanência desses cidadãos .
O corrupto é aquele que se bene ficia da complexidade da burocracia e da disputa política, enriquecendo-se no poder, sob a alegação de necessidade de recursos, algumas vezes, para as campanhas políticas e, no mais das vezes , “pro domo sua”. Apesar de Montesquieu, ao cuidar da tripartição dos poderes , ter dito que o poder deve controlar o poder, porque o homem nele não é confiável , quando em todos eles há corruptos, o poder não controla a corrupção.
O inepto, que conforma o quadro da esmagadora maioria dos que estão no poder , é aquele que, incapaz do exercício de uma função privada na qual teria que competir por espaços , pre fere abole tar-se junto aos poderosos. São os amigos do rei. Não sem razão, Roberto Campos afirmava que há no governo dois tipos de cidadãos, “os incapazes e os capazes de tudo” .
Quando espocam escândalos de toda a forma , quando a corrupção torna-se endêmica , quando o processo legislativo torna-se obje to de chantagem , quando a mentira é tema permanente dos discursos o ficiais, quando a incompe tência gera estagnação com injustiça social, percebe -se que os quatro cavaleiros do Apocalipse estão depredando a sociedade e desfigurando a pátria que todos almejam.
Felizmente, o Brasil é uma nação que desconhece os quatro cavaleiros do Apocalipse , pátria em que todos são idealistas e incorruptíveis , razão pela qual este artigo é uma mera digressão filosófica.

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Publicado às 27 27America/Belem janeiro 27America/Belem 2015 por em Atualidade, Brasil, Civilização, Democracia, Gestão, Ives Gandra, Política e marcado , , , .
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