Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Proletário, tema de exploração ideológica.

marioFerreira“E eis por que proletário, em todas as épocas, ontem, hoje e talvez ainda amanhã, há de ser sempre o procurado, o grande explorado pelos que desejam ascender aos altos postos, pelos que não podem erguer-se por si mesmos, porque, na verdade, não são grandes, mas podem erguer-se sobre as suas esquálidas costas aos postos grandes para parecerem grandes”.

Por Mário Ferreira dos Santos.

Em todas as épocas da humanidade os que apenas são prestadores de serviço foram sempre vítimas de exploradores astuciosos. Assim sempre foi, e assim ainda é.
O homem, que outra renda não tem que a do seu trabalho, e cuja única riqueza que possui são seus filhos, foi chamado de proletário, porque só a sua prole é o bem que lhe resta, a renda que lhe permitem ter é a que lhe podem dar seus filhos.
Como a sua vida é feita de necessidades, como a sua mesa é quase vazia, com as suas necessidades mais elementares são tantas e exigentes, é natural que esse homem, que esse tipo de homem, tenha exigências imediatas, careça de bens imediatos para satisfazer as suas justas necessidades.
Seus problemas são sempre de urgente solução, porque não pode esperar, porque não espera seu estômago, que pede alimentos; seu corpo, que pede vestes.
Por outro lado, todo homem deseja prestigiar-se ante os seus semelhantes. Todos querem ser ou, pelo menos, parecer que são superiores em alguma coisa. Sempre houve, sempre há e sempre haverá os que desejam impor-se aos outros com alguma superioridade. Um quer ser mais simpático, outro mais forte, outro mais hábil, outro mais rico.
Dos que não podem sobressair por algum daqueles caminhos, há muitos que buscam sobressair pelo poder político, exercendo esse poder sobre os outros. Quem são eles? São os famintos de prestígio e que não sabem sofrer a sua fraqueza, os complexados de poder, complexados de inferioridade, que buscam obter um cargo que os torne grandes, porque não são grandes.
Quem é grande não procura ocupar o cargo grande. Quem realmente é grande cria para si a própria grandeza. É grande porque é grande, e não porque ocupa um cargo grande.
Quem verdadeiramente se eleva é quem ascende por si, por seus atos e por suas realizações ao posto elevado. Cria o seu lugar, como Pasteur criou o seu na ciência, como Aristóteles na filosofia, como Camões criou na literatura.
Nem Pasteur, nem Aristóteles, nem Camões foram grandes porque ocupavam cargos elevados, mas foram grandes porque realizaram obras grandes.
Aquele que não pode sofrer a sua inferioridade, aquele que não suporta dentro de si a sua pequenez, quer o cargo elevado, porque julga que, ocupando um pedestal e estando mais alto que os outros, é realmente maior que os outros.
E eis por que proletário, em todas as épocas, ontem, hoje e talvez ainda amanhã, há de ser sempre o procurado, o grande explorado pelos que desejam ascender aos altos postos, pelos que não podem erguer-se por si mesmos, porque, na verdade, não são grandes, mas podem erguer-se sobre as suas esquálidas costas aos postos grandes para parecerem grandes.
E como procederam? Exploraram a sua miséria, exploraram a sua carência, exploraram a sua boa-fé, exploraram a sua ignorância, exploraram a fome de seus filhos, a seminudez e os andrajos de sua mulher, exploraram a urgência de suas necessidades…

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Fonte: A Invasão Vertical dos Bárbaros, de Mário Ferreira dos Santos, originalmente escrito em 1967

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Publicado às 20 20America/Belem janeiro 20America/Belem 2015 por em Civilização, Coletivismo, Mário Ferreira dos Santos, Política, Socialismo, Trabalho e marcado , , .
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