Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Por um “giro copernicano” em política

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Se, adotando essa atitude, a política não mudar, teremos de bater a mão contra o peito e admitir: “mea culpa”!

 

Por Luiz Filipe Seixas.

Aristóteles dizia que a virtude do estado é conforme a virtude dos seus cidadãos. Maistre ratifica esse pensamento quando afirma que cada povo tem o governo que merece. O indivíduo é essencialmente um membro constitutivo da sociedade política. A ética (regra da vida individual) não é independente, mas sim uma parte da política (regra da vida social).

Isso implica em que, enquanto parte constitutiva, cada cidadão tem responsabilidade direta pelo caráter da sociedade ou do estado. Portanto, se ele está do jeito que está, a culpa é, em primeiro lugar, minha, sua e de cada um que está longe de ser um modelo de cidadão. Disso decorre que o verdadeiro caminho para mudar a política passa, necessariamente, pela mudança individual, ética.

Depositar esperança de libertação em um líder político é um erro geralmente cometido por mentes turvadas pelo materialismo grosseiro. Foi o erro que alguns judeus cometeram ao esperar a vinda de um rei que os libertasse do jugo dos romanos. Quando o esperado Libertador chegou, mostrando-lhes que aquela escravidão política era um mero reflexo da sua escravidão interior, e que o caminho da liberdade não começa na política, mas na busca (interior) da verdade, não compreenderam ou, compreendendo, não quiseram aceitar. Como consequência dessa incompreensão, cometeram o pior dos crimes possíveis. Logo, vê-se que não é necessário apenas o aprimoramento moral, mas também intelectual.

2Proponho então um “giro copernicano” em política. Vendo que as coisas davam errado ao considerar o observador parado e os astros em movimento, Copérnico decidiu inverter o ponto de vista e começar a considerar o observador em movimento e os astros parados. Ao observar os êxitos dessa operação, Kant decidiu imitá-lo na metafísica: daí em diante, o sujeito não mais seria considerado meramente passivo em relação ao objeto, mas ativo e determinante nessa relação de conhecimento.

Temos considerado os cidadãos meramente passivos nas relações políticas. Invertamos o ponto de vista e passemos a considerá-lo como princípio ativo da vida política. A primeira consequência do “giro copernicano” é essa: Para uma efetiva mudança a nível político é necessário que cada cidadão se dedique a alcançar o máximo grau de excelência moral e intelectual que lhe for possível, e que se empenhe tão infatigavelmente em fazê-lo, que não lhe sobre tempo de parar para se lamentar antes que tenha logrado êxito em tal tarefa.
Se, adotando essa atitude, a política não mudar, teremos de bater a mão contra o peito e admitir: “mea culpa”!

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Publicado às 29 29America/Belem outubro 29America/Belem 2014 por em Atualidade, Civilização, Democracia, Indivíduo, Política e marcado , , , .
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