Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Pequena nota sobre Cristianismo e Civilização Ocidental

carlos magno

Carlos Magno, imperador do Ocidente

Por Luís Fernando Pessoa.

A historiografia especializada em História Medieval contempla variados aspectos do processo de formação do Ocidente. É reconhecido entre os pesquisadores da área que muitos elementos que provocaram o aparecimento gradual do Ocidente europeu tiveram um impulso caracteristicamente cristão. Desde o latim pronunciado nas missas até o direito canônico e a criação das escolas urbanas e rurais gratuitas, da escolástica, da astronomia, da física, metalurgia e das universidades na Idade Média Central, é notória a presença de colunas religiosas provocando o surgimento de uma poderosa cultura. Esta é a própria cristandade, que significa o conjunto cultural, espiritual e filosófico formado pelas noções cristãs de verdade, sacralidade, conhecimento, dignidade humana, família, trabalho, comportamento e mais uma série de coisas. Então, se você quer saber alguma coisa sobre o período medieval, tenha a certeza de que terá que considerar pelo menos a influência – ou até a determinação – do cristianismo e da visão de mundo que ele inspira.

Foi a cristandade que gerou o Ocidente tal como o conhecemos. Seus aspectos fundamentais foram estudados por historiadores como Jacques Le Goff, por exemplo. Em seu livro – muito conhecido, por sinal – chamado A civilização do Ocidente Medieval o medievalista francês destacou o grande impulso civilizatório no qual se constituiu a cristandade. Em outros autores como Thomas Woods Jr., em sua obra Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental, temos uma análise bem interessante de momentos importantes da formação de nosso estilo de vida e pensamento ao longo dos tempos medievais, os quais só podem ser compreendidos em sua completude se consideramos a influência criadora do cristianismo. Mesmo o próprio Le Goff, um sujeito de formação marxista e que encabeçou durante um bom tempo a liderança da corrente historiográfica conhecida como Escola dos Annales, reconhece que sem atentarmos para o florescente poder criador da religião cristã, corremos o sério risco de perder de vista o próprio significado histórico do passado medieval. Passado este que, em grande medida, como diz Woods Jr, sedimentou as bases para a existência do mundo contemporâneo.

Ao contrário do que dizem muitas pessoas, inclusive dentro da própria universidade, o período medieval não foi uma época de trevas, mas sim, como diz a historiadora francesa Régine Pernoud, uma idade da luz. O termo luz, aqui, é empregado no sentido cultural, religioso, que ultrapassa muito em importância os progressos estritamente materiais: na verdade, todo desenvolvimento econômico e tecnológico é sempre precedido por certo nível de florescimento cultural. Se você não tem uma cultura verdadeiramente superior, criada pelo esforço continuado de homens valorosos e dedicados à compreensão da realidade, não há a possibilidade de se conseguir algum progresso material. Uma realidade não pode viver sem a outra.

Como diz Woods Jr, praticamente toda ciência atual está assentada sobre os ombros de gigantes medievais que lhe prepararam o terreno com muita antecedência e até generosidade. A dimensão de tal obra civilizatória, muito bem destacada pelo historiador norte-americano não é muito percebida nos meios universitários brasileiros acostumados com os esquemas interpretativos do marxismo, os quais foram apropriados pelos historiadores daqui e tomados como regra máxima de leitura do passado. É claro que este tema contempla outros fatores – que podem ser, certamente, analisados em um próximo artigo – mas, sem dúvida, a interpretação materialista da realidade cultural do Ocidente ao longo da Idade Média atenua ou até desconsidera o poder civilizatório do cristianismo.

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Publicado às 16 16America/Belem outubro 16America/Belem 2014 por em Civilização, Humanidade, Política, Religião, Tradição e marcado , , , , , .
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