Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Se a educação é importante, então não pode ser responsabilidade do Estado

8265752413_8f5d0caf21Por Itamar Flávio da Silveira.

“Se a educação for algo realmente importante (e eu também acredito que seja) não pode ficar sob a responsabilidade do Estado. Não temos evidências de que o Estado possa fazer alguma coisa de modo mais eficiente do que a iniciativa privada.”

 Não é fácil entender os motivos, mas o fato é que as pessoas têm sempre uma crença cega no poder bem feitor do Estado. Para tudo aquilo que acreditam ser fundamental na sociedade, as pessoas solicitam o Estado. Existe certo consenso de que a Educação é uma tarefa nobre e que deve ser oferecida com boa qualidade pelo Estado.

É comum ver pessoas instruídas argumentando que o Estado precisa investir mais em Educação para alavancar o desenvolvimento do Brasil. Alguns chegam a dizer arrogantemente que o Estado precisa investir em três coisas e na sequência repetem: “Educação, Educação e Educação”. O argumento é baseado na ideia de que a educação é muitíssimo importante para que um país possa crescer e se desenvolver. Aí nos damos conta que há algo errado no argumento.
Se a educação for algo realmente importante (e eu também acredito que seja) não pode ficar sob a responsabilidade do Estado. Não temos evidências de que o Estado possa fazer alguma coisa de modo mais eficiente do que a iniciativa privada. Mas alguns ingênuos apaixonados pela causa da Educação poderão questionar se não seria temerário deixar uma tarefa tão nobre ao cargo dos mesquinhos interesses individuais. A esse argumento eu repondo parafraseando Margaret Thatcher que, certa vez, respondendo aos deputados perguntara se existia alguma coisa mais importante no mundo livre do que a produção de alimentos: “Se o que é de mais importante é produzido pela iniciativa privada, por que outras atividades menos importantes não poderiam também ficar a cargo dela?”, sentenciou.
Não estou pregando a privatização das escolas públicas, até porque sei que isto nunca vai acontecer. Não existe no país nenhuma força política capaz disso. E, certamente, ninguém teria interesse em comprar nossas cara e ineficientes escolas. Só estou afirmando que as pessoas que acham que Educação é mesmo fundamental e solicitam mais investimentos do Estado no setor, estão sendo contraditórias. Ou a educação é importante e deve ficar a cargo da iniciativa privada ou não é importante e pode continuar a cargo do Estado. Uma alternativa exclui a outra.
Obviamente, nenhuma pessoa, com juízo normal, deixaria um pedófilo cuidando de suas crianças, ou repassaria a um drogado a tarefa de cuidar dos seus negócios. Então, qual é a lógica em deixar uma tarefa tão importante como a educação nas mãos do Estado?! No entanto, nós brasileiros confiamos a tarefa da educação às mãos do Estado e, para tanto, repassamos 18% do orçamento do governo federal e 25% dos orçamentos dos Estados e Municípios. O resultado todos nós conhecemos: temos uma educação ruim e, de quebra, oneramos todos os contribuintes. A prova mais convincente da ineficiência de nossas escolas públicas está no fato de que os professores dessas escolas, que têm condições financeiras, preferem colocar seus filhos nas escolas particulares e não nas escolas públicas onde trabalham.
Recorro a outro exemplo que talvez possa deixar mais claro o que significa delegar ao Estado a execução de tarefas importantes para um país. Certa feita, Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia de 1976, respondendo a um jornalista, fez a seguinte metáfora: quando nós vamos comprar alguma coisa para nós mesmos, nosso esmero é no sentido de pagar o mais barato pela maior qualidade possível; já quando vamos comprar um presente para alguém, com o nosso próprio dinheiro, estamos mais preocupados com o preço do que com a eficiência do produto; agora, quando vamos comprar um presente para algumas pessoas que não conhecemos direito e o dinheiro para pagar o tal presente é oriundo de pessoas que nem se quer temos amizade, não nos preocupados nem com o preço, nem com a qualidade do presente e nem com o prazo de entrega. Cumprimos nossa missão assim que concretizamos a compra. É exatamente assim que são as realizações do Estado. Pode até ser que o “presente” custe barato, que o produto seja ótimo e que a entrega seja imediata. No entanto, essas não são as suas preocupações.

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Publicado às 14 14America/Belem outubro 14America/Belem 2014 por em Atualidade, Educação, Estado, Gestão, Itamar Flávio da Silveira e marcado , , , .
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