Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Leal ao céu, veraz na terra

oração da montanha santiago ubatuba

Por Sidney Silveira.

A LEALDADE é filha da veracidade.
Quem não é veraz jamais conseguirá ser leal. Noutras palavras, alguém que não tenha a verdade como critério pode, no máximo, ser leal a uma causa — nunca a uma pessoa. Ocorre que essa lealdade a grupos em detrimento dos indivíduos objetivamente considerados é tão falsa quanto uma nota de três dólares, pois não se funda na amizade, que tende à perdurabilidade, e sim no interesse, que tende à inconstância.
Em suma, não é lícito ser desleal nem mesmo para com os inimigos, pelo simples fato de que a deslealdade é balizada pela simulação de veracidade à qual chamamos hipocrisia. Sendo assim, ainda que o inimigo seja um “demônio”, nenhuma justificativa há para jogar sujo com ele, pois quem assim procede acaba assemelhando-se ao que de pior tem o inimigo. O melhor é enfrentá-lo face a face, mas sem expedientes escusos, ou afastar-se levando n’alma o aprendizado possível. E aqui não confundamos estratagemas com vale-tudo maquiavélico: existem limites morais nas contendas, ultrapassados os quais é melhor perder que vencer. Sabemos disso desde Sócrates.
Como a veracidade decorre da virtude cardeal da justiça, o homem leal, sendo verdadeiro, “a fortiori” precisa também ser minimamente justo. Mas não pode ser justo quem substitui as amizades reais por ações programáticas em prol de um suposto objetivo coletivo, pois o ato próprio da justiça é dar a cada um conforme os seus merecimentos, e não dobrar-se — numa espécie de “amém” cego — aos projetos de um grupo, qualquer que seja, e por presumivelmente bom que seja. Quem faz isso, cedo ou tarde, acaba por cometer perjúrio contra o próximo para demonstrar lealdade ao grupo.
A pessoa que conjuga demasiada e artificialmente o “nós”, acaba por desprezar o “eu” e o “tu”, retirando das costas, por meio de justificativas mil, as responsabilidades pessoais para lançá-las sobre o primeiro bode expiatório que estiver à mão.
No momento em que o Facebook e outras redes sociais servem para fomentar atos totalmente contrários à lealdade, nos parâmetros aqui explicitados — ou seja, como o salutar hábito de fidelidade à verdade —, nunca é demais lembrar que, de uma maneira ou de outra, acabamos ainda nesta vida por pagar o elevado preço dos atos perpetrados sem o critério da veracidade, que, como dissemos, é a mãe da lealdade.
Seja como for, apenas quem crê em Deus entende o alcance da proposição “não devemos ser desleais nem mesmo com os nossos inimigos”, pois o pressuposto dela é o dever de lealdade para com Aquele de quem procedem todas as verdades.
Ou isso, ou a trôpega e vertiginosa descida pelos degraus da demagogia. Ou isso, ou os acordos obscuros em vista de objetivos em geral funestos, como seja, por exemplo, o de destruir a honra alheia, direta ou indiretamente, ainda que buscando explicações sofisticadas para as mais vergonhosas ações.
Umas vezes, ser leal é a conquista do homem em luta titânica contra as suas próprias fraquezas. Outras vezes, é dádiva do céu. Dádiva que, se ainda não recebemos, podemos e devemos pedir em súplice oração.
Porque a genuína lealdade de um homem em relação ao seu próximo— seja amigo ou inimigo — é o prêmio da confiança em Deus.
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Publicado às 26 26America/Belem agosto 26America/Belem 2014 por em Filosofia, Humanidade, Indivíduo, Moral, Religião, Sidney Silveira e marcado , , , .
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