Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Filosofia na sala de aula

gkc_francis_sliderPor G. K. Chesterton.

Traduzido por Emílio Angueth.

O que as pessoas modernas precisam compreender é que toda discussão começa com um pressuposto; isto é, com algo de que você não tem dúvidas. Você pode, é claro, se quiser, duvidar do pressuposto no início do seu argumento, mas nesse caso você está na verdade começando um argumento diferente, com outro pressuposto em seu início. Todo argumento se inicia com um dogma infalível; se você nunca poderá provar sua primeira afirmação, ela não deveria ter sido a primeira. Este é o abecedário do pensamento. E isso é especial e positivo sobre isso: pode ser ensinado na escola, como qualquer abecedário. Não começar um argumento sem afirmar seus pressupostos pode ser ensinado em filosofia em uma escola comum, com um quadro negro, tal qual é ensinado em Euclides. E eu acredito que pode ser ensinado em um nível simples e racional mesmo para as crianças, antes de irem para as ruas e serem expostas à lógica e à filosofia da mídia de massa.

Muito do caos sobre dúvida e religião vem disso: do fato que nosso ceticismo moderno sempre começa por nos dizer para não acreditar. Mas mesmo sobre um cético nós querermos saber em que ele acredita. Antes de argumentar, nós queremos saber se sobre o que não precisaremos argumentar. E toda essa confusão é infinitamente ampliada pelo fato que todos os céticos de nosso tempo são descrentes em diferentes níveis da dissolução do próprio ceticismo.

Agora eu e você temos, espero, esta vantagem sobre todos esses espertos novos filósofos: nós não somos loucos. Todos nós acreditamos na Catedral de São Paulo; a maioria de nós acredita em São Paulo. Mas nos deixe esclarecer esse fato, que nós acreditamos em coisas que são parte de nossa existência, mas não podem ser demonstradas. Deixemos a religião fora da questão por um momento. Todos os homens sãos, eu digo, acreditam firme e inalteradamente em um certo número de coisas que não foram provadas e são improváveis. Vamos falar delas francamente:

1- Todos os homens sãos acreditam que mundo a sua volta e as pessoas nele são reais, e não sonho ou ilusão. Nenhum homem ateia fogo em Londres na crença que seu servo logo irá acordá-lo para o café da manhã. Mas o fato que eu, a qualquer momento, não estou em um sonho, não foi provado e é impossível de ser provado. O fato que qualquer coisa além de mim existe não foi provado e é impossível de ser provado.

2- Todos os homens sãos acreditam que este mundo não apenas existe, como também importa. Todo homem acredita que há algum tipo de obrigação em nós que nos torna interessados em esta visão ou panorama de vida. Ele acharia errado um homem que dissesse “Eu não pedi por esta farsa e ela me deixa entediado. Eu estou ciente que uma mulher idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas estou indo dormir”. O fato que há qualquer tipo de obrigação de melhorar as coisas erradas é algo que não foi provado e é impossível de ser provado.

3- Todos os homens sãos acreditam em algo equivalente a um eu, ou ego, que é continuo. Não há uma polegada a mais no meu cérebro que continue a mesma que a de dez anos atrás. Mas se eu salvei um homem em batalha dez anos atrás, eu continuo orgulhoso; se eu fugi de medo, eu continuo envergonhado. Este “eu” soberano não foi provado e é impossível de ser provado. Mas é mais que não comprovado e impossível de ser provado; é um tema definitivamente debatido por muitos metafísicos.

4-Por último, a maior parte dos homens sãos acreditam, e todos os homens sãos dizem acreditar, que possuem um poder de escolha e de responsabilidade por suas ações.

Certamente se podem estabelecer declarações simples e enfadonhas como as acima, para fazer as pessoas verem em que estado se encontram. E se à juventude do futuro não for ensinada qualquer religiosidade, que pelo menos sejam ensinadas, clara e firmemente, as três ou quatro sanidades e certezas do livre pensamento humano.

Daily News, 22 de junho de 1907

Fonte: Revista Literatura

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Publicado às 14 14America/Belem agosto 14America/Belem 2014 por em Civilização, Filosofia, G. K. Chesterton, Humanidade, Religião e marcado , , .
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