Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Eu dou esmola

santo-antonio-esmolaPor Paulo Briguet

Uma das consequências de ficar velho é deixar de acreditar nos velhos chavões. Desde que me entendo por gente, ouço falar: “Não dê esmola”. Funcionários do governo, cientistas sociais, ongueiros e demais personagens das classes falantes são praticamente unânimes em condenar o simples ato de dar dinheiro a um mendigo. Desde criança acho que essa conversa é uma tremenda bobagem. Hoje tenho certeza. Continuarei dando esmola quando puder e quiser. Não posso fazer isso sempre (do contrário não faria outra coisa na vida), mas peço que me deixem em paz quando atender a alguém que pede um trocado.

Os militantes dizem que esmola não resolve nada. Ora, façam-me o favor de passar amanhã! Quem são vocês para dizer que esmola não resolve nada? Já moraram na rua? Já passaram fome, sede, frio? Já sentiram vontade de tomar um gole de cachaça para espantar a dor e a solidão? Agora vou me recusar a atender uma necessidade imediata de quem está sofrendo, só porque vocês dizem que dar esmola não é uma “atitude cidadã”?

De fato, a esmola não tem nada a ver com cidadania. Tem a ver com a salvação da alma. Oração, jejum e esmola são atitudes fundamentais para quem deseja cultivar a vida do espírito; é natural que causem escândalo em nosso mundo materialista. O professor Luiz Gonzaga de Carvalho Neto observa que cada uma dessas ações está ligada a faculdades humanas basilares: inteligência (oração), vontade (jejum) e sentimento (esmola). Assim como não abro mão de rezar e jejuar quando bem entendo, recuso-me a deixar que os programas sociais do governo estatizem a compaixão e a misericórdia. Não quero mudar o mundo, nem revolucionar a sociedade. Quero fazer o bem.

Somos todos mendigos diante de Deus. Sem exceção. Sempre que vejo um pedinte na rua, penso que ele pode ser um dos 36 santos ocultos que fazem Deus adiar a destruição do mundo. Cada vez que encontro um mendigo, lembro como meu pai os tratava. Ele dizia: “Às vezes, os pedintes não querem dinheiro, mas apenas um minuto de atenção, uma palavra de conforto”. Parece que Paulo está aqui ao meu lado, dizendo isso agora.

E há um motivo adicional para que eu dê esmola. Não fosse a sorte de ter encontrado a Rosângela e o Pedro, as minhas mãos poderiam estar estendidas no ar, e não escrevendo estas palavras. No fundo, sou um mendigo de quem Deus teve piedade.

Fonte: Jornal de Londrina

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Publicado às 14 14America/Belem julho 14America/Belem 2014 por em Civilização, Humanidade, Indivíduo, Liberdade, Moral, Religião e marcado , , .
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