Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Ideologia versus Realidade

padre robert

Por Padre Robert Sirico

Se percebermos que o argumento moral do socialismo está equivocado — e que o capitalismo, na verdade, traz benefícios e serve ao bem comum — por que nos mantemos na ideologia em vez de abandoná-la? Evidentemente, é difícil abrir mão de uma vida inteira dedicada à ideologia, especialmente se a considerarmos a única alternativa existente ainda não contaminada pelo mal. Assim, o socialismo foi, por gerações, simplesmente um dogma arraigado. É possível aos socialistas discutir pontos delicados, mas não abandoná-los.

Contudo, por mais compreensível que seja, não é louvável. Continuar a afirmar uma doutrina comprovadamente falsa é abrir mão de qualquer pretensão de objetividade. Se alguém provar que o livre mercado e a propriedade privada levam ao empobrecimento, à ditadura e à violação dos direitos humanos em grande escala, creio que deveria ter senso e capacidade de admitir e mudar meus conceitos. Em todo caso, aos socialistas falta humildade intelectual. Eles se agarram a sua fé — sua falsa religião — como se suas vidas estivessem em jogo. Muitos continuam ainda assim hoje.

A maioria dos intelectuais no mundo tem consciência do que o socialismo fez na Rússia. E ainda há muitos que se mantêm fiéis ao ideal socialista. O império do terror de Mao Tsé-Tung (1893-1976) não é mais segredo. E ainda assim, é moda lamentar o avanço do capitalismo na China, mesmo com a evidente melhora das condições de vida do povo chinês pela crescente liberdade ao ingresso no mercado. Muitos europeus estão totalmente conscientes de quão nociva a social-democracia tem sido na Alemanha, na França e na Espanha. E ainda continuam a se opor à liberalização dessas economias. Aqui nos Estados Unidos temos visto o fracasso dos programas de redistribuição de renda e o desequilíbrio fiscal que geram. E ainda há muitos que continuam a defendê-los e promovê-los.

Os primeiros socialistas sonharam com um mundo em que todas as classes dividiriam os frutos da produção. Hoje, vemos algo do tipo nos Wal Marts — para citar o exemplo mais chamativo — que surgem diariamente em cidades pelo mundo afora. Em cada uma dessas lojas há uma verdadeira abundância de bens destinados ao bem-estar humano, com preços que os tornam acessíveis a todos. Eis uma empresa que criou milhões de empregos e trouxe prosperidade a lugares muito necessitados.

Embora a livre iniciativa obviamente não englobe a noção de propriedade comum dos primeiros socialistas, ela parece atender ao bem comum assim como estes idealizaram. O que podemos dizer daqueles que continuam apegados ao socialismo como um ideal político? Eles não conhecem ou não entenderam a história da Economia nos últimos trezentos anos. Ou talvez estejam mais presos ao socialismo como ideologia do que estão comprometidos com os objetivos estabelecidos pelos fundadores.

Quando falamos em bem comum, precisamos ter em mente os institutos políticos e jurídicos que estão mais aptos a favorecê-lo. Eis a lista: propriedade privada dos meios de produção, moeda estável para servir às operações de câmbio, livre iniciativa para permitir às pessoas criarem negócios, livre associação de trabalhadores permitindo às pessoas escolherem onde gostariam de trabalhar e sob que condições, cumprimento de contratos — o que proporciona segurança jurídica, e um comércio dinâmico que permita o pleno desabrochar da divisão do trabalho. Esses institutos devem ser sustentados por uma infra-estrutura cultural que respeite a propriedade privada, considerando a pessoa humana como possuidora de uma dignidade inerente, e que confira a primazia da lealdade à autoridade transcendente sobre a autoridade civil. Essa é a base da liberdade, sem a qual não se atinge o bem comum. Em suma, podemos nos considerar, todos, socialistas, se por este termo entendermos que nos dedicamos ao objetivo primário do socialismo — o bem-estar de todos os membros da sociedade. A reta razão e a experiência mostram que o meio para se alcançar tal objetivo não é pela centralização estatal, mas através da liberdade política e econômica. Santo Tomás de Aquino (1225-1274) tinha um axioma: “bonum est diffusivum sui” [O bem se irradia por si mesmo]. O bem da liberdade realmente se irradiou em benefício da humanidade.

Em conclusão, pergunto: Quem fez a vontade do Pai?

Traduzido do inglês por Jeffrey Baldez

Fonte: CIEEP

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Publicado às 20 20America/Belem junho 20America/Belem 2014 por em Economia, Liberdade, Livre Mercado, Moral, Política, Propriedade e marcado , , , , , , .
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