Grupo de Estudos Joaquim Nabuco – Ano IV

O G.E. Joaquim Nabuco reúne pessoas comprometidas com a defesa das instituições tradicionais, das liberdades autênticas, do livre mercado e da pessoa humana, sob inspiração católica.

Áreas verdes produzidas através do empreendedorismo

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Shopping Cidade Jardim, São Paulo.

Por Anthony Ling

 

Atualmente, há falta de áreas verdes de qualidade. A explicação natural para isso é de que, por ser um bem de benefício público disperso, não há interesse de um indivíduo prover este bem, pois não se beneficiaria fazendo isso. As áreas verdes são delegadas, então, para o governo. Porém, o governo não é um bom administrador por definição, já que não segue processos meritocráticos e tem suas atitudes movidas por grupos de interesse que exercem pressão política aos administradores. A eleição destes administradores também é resultado de um processo falho: já que a influência do voto de um único eleitor é muito pequena, e o custo de pesquisar e saber qual o melhor político para se votar, este permanece ignorante aos políticos em que ele está votando. Será que não existe saída para o problema da falta de áreas verdes de qualidade?

Acredito em uma solução interessante e pouco explorada, através do empreendedorismo. Empreendedores são pessoas que vêem deficiências no mercado, demandas não sendo atendidas, e atendem estas demandas através de soluções empresariais. Isto pode se dar de diversas formas:

1-Valorização de empreendimento: Tanto em áreas residenciais como comerciais, áreas de convivência arborizadas e com atratividade ambiental estão cada vez mais valorizadas pelo consumidor. Em Porto Alegre, grandes empreendimentos residenciais, como o Parque Germânia, da Goldzstein Cyrela, seguem este conceito, preservando mais área verde do que o legalmente solicitado. O recentemente inaugurado Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, também segue este conceito, mantendo diversas árvores já existentes no terreno e criando áreas de convivência ao ar livre sob elas.

2-Marketing não-convencional: Também já manifestado em Porto Alegre, o programa de adoção de praças segue este conceito. Embora o cidadão já tenha pago para a manutenção das áreas verdes através dos impostos, empresas privadas realizam a manutenção dos espaços verdes em troca de divulgação de sua marca nestas áreas. A campanha da Pepsi para a manutenção dos equipamentos na orla do Guaíba também usa esta idéia. Não há discussão que as áreas mantidas neste programa superam a manutenção pública.

3-Pesquisa científica: O Nature Conservacy, entidade americana de pesquisa na área ambiental, compra grandes áreas verdes e as preserva para permitir o estudo científico do ambiente natural. A sua lógica é bastante diferente dos grupos ambientalistas comuns que exercem pressão política para aumentar os gastos governamentais com políticas “verdes”, impondo seus valores sobre os demais cidadãos.

4-Qualidade Espacial: o estudo de paisagismo e arquitetura poderia contribuir muito para praças de grande qualidade que eventualmente podem ter entrada paga. Regionalmente isto já acontece com reservas verdes em áreas mais afastadas, principalmente nos arredores de Porto Alegre, onde a terra é mais barata, e na Serra Gaúcha, onde há grande riqueza e diversidade ambiental. Em escalas urbanas menores, isto ocorre em Porto Alegre na Praça Província de Shiga, em Porto Alegre, apesar de ser mantida também pelo consulado japonês. Para grande maioria das pessoas, a vivência em áreas verdes aumentam sua qualidade de vida, e estão dispostas a pagar de forma direta para este benefício, e não através de impostos que terminam em uma administração governamental ineficiente.

5-Loja: A forma menos convenvional seria a área verde “à venda”, que é o caso de grandes floriculturas, como a Floricultura Ursula, em Nova Petrópolis, ou a Floricultura Winge, em Porto Alegre. Estes espaços são integrados, muitas vezes, com áreas de convivência para os clientes. Acredito que estas floriculturas poderiam estudar o potencial de aumento de vendas na criação de mais espaços de convivência para os clientes, utilizando a qualidade do seu produto como uma forma de atração do consumidor.

As áreas verdes realizadas através do mercado também buscariam maior eficiência na localização e na manutenção destas áreas de acordo com a demanda. O que vemos hoje, muitas vezes, são parques muito grandes em áreas de baixa densidade e pouco uso e parques muito mal cuidados e degradados em áreas nobres, centrais e de alta densidade, como é o caso da praça pública do DMAE, em Porto Alegre, esquina da Rua Hilário Ribeiro com a Rua Santo Inácio.

As alternativas acima podem parecer, à primeira vista, não muito eficazes. Porém, nenhuma das alternativas citada acima é manifestada, atualmente, na sua totalidade. Um motivo seria o gasto já feito pelo consumidor para áreas verdes na forma de impostos, e o segundo seria a falta de direito de propriedade completo sobre áreas verdes: árvores nativas não podem ser consideradas propriedade devido às restrições do proprietário. Outro motivo são as incertezas quanto à invasão, desapropriação ou restrição ambiental de áreas verdes no Brasil. Um caso publicado recentemente no jornal Zero Hora foi de um empresário gaúcho que conseguiu preservar, apesar dos riscos, uma grande área verde durante mais de 20 anos, com o intuito bem intencionado de um empreendedor ecológico. Esta área sofreu tanta regulamentação ambiental que ela perdeu o valor de mercado, não podendo ser executado nenhum empreendimento que pudesse valorizar aquela área.

Poucos, como o Property and Environment Reseach Center, difundem a idéia do empreendedorismo ambiental, apesar da qualidade do seu resultado. O mercado é a única solução eficiente e não-coercitiva para a preservação e valorização dos espaços verdes, porém esta idéia ainda não foi assimilada por maioria dos grupos ambientalistas.

 

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Publicado às 11 11America/Belem junho 11America/Belem 2014 por em Anthony Ling, Humanidade, Livre Mercado, Meio Ambiente, Urbanismo e marcado , , , , .
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